26 de junho de 2018

Detenham o STF, o maior inimigo do Brasil.

Quando Sebastián Piñera, atual presidente do Chile esteve recentemente no país e se encontrou com três dos nossos ministros do Supremo (Carmem Lúcia, Toffoli e Fachin), ainda que sem intenção, nos revelou toda a nudez do rei. Em tom descontraído, o presidente chileno perguntou aos ministros, a quem o povo brasileiro poderia recorrer nos casos em que o STF errasse seus julgamentos, diante do silêncio constrangedor e revelador dos ministros, ele apontou para cima, indicando que só lhes restava rezar a Deus! (https://oglobo.globo.com/brasil/quando-falha-suprema-corte-quem-se-recorre-pergunta-presidente-do-chile-carmen-lucia-22634972)

Sim, essa é a nossa triste realidade, somos reféns dos mandos e desmandos de togados que não nos devem qualquer satisfação porque não dependem dos nossos votos. (https://padrepauloricardo.org/episodios/ministro-do-supremo-admite-nao-devemos-satisfacao-a-ninguem).

O STF há anos vem ultrapassando as suas atribuições, entrando na seara do outro poder que é o Legislativo com a desculpa que este é moroso ao tomar suas decisões. Será realmente o Legislativo moroso, ou ele apenas reflete os anseios dos seus eleitores que não se dobram tão facilmente a uma agenda esquerdista-globalista? Sabemos que o parlamentar é sensível à movimentação da sua base eleitoral, e em geral, a população brasileira ainda é conservadora em costumes. Por isso pautas legalizadas pelo STF como casamento gay, pesquisa com células tronco embrionárias, aborto de anencéfalos e demais casos não tramitam facilmente pelo Congresso, tendo duro percalço por lá, sendo seus projetos muitas vezes arquivados. A elite globalista internacional é ciente disso, e sabendo que não teria vida fácil nos parlamentos de muitos países, decidiram investir pesadamente num atalho que é a via judicial.  No Brasil não foi diferente, hoje o STF se tornou uma nova “Assembleia Constituinte”, não se conformando tão somente em resguardar ou interpretar o texto Constitucional, mas todo dia parece querer reescrevê-lo.

Cada dia que passa, nossos ministros, que se acham verdadeiros semi-deuses do Olimpo, inatingíveis, colocam a sua manguinha autoritária mais pra fora. Quando o ministro Ricardo Lewandowski mandou fatiar o impeachment de Dilma Rousseff, não cassando seus direitos políticos, mutilando totalmente a lei diante de um Brasil atônito, a senha foi dada que nada  impediria nossos ministros de “legislar” em  causa própria e a favor dos seus protegidos. Hoje vemos a segunda turma, com o trio libertador Toffoli, Gilmar e sempre ele, Lewandowski, libertando figurões condenados, como José Dirceu, zombando cada dia mais um pouco da cara do povo brasileiro.

Estamos cansados de tanto escárnio e cinismo, esse STF já deu há muito tempo, ninguém mais suporta seus desmandos, seus desvarios e arbítrios, qualquer brasileiro com o mínimo de inteligência percebe que há algo muito estranho acontecendo na nossa Suprema Corte.

Hoje o STF se tornou o maior inimigo do Brasil. Sua sanha autoritária parece não ter limites, e em breve, no início de agosto, ele se prepara para mais uma vez legislar, e liberar o terrível crime do aborto no Brasil até a 12ª semana em qualquer situação.

Mas há esperança! Existe um projeto de lei tramitando na Câmara dos Deputados, o PL 4754/2016, “que define como crime de responsabilidade a usurpação de competências do legislativo por parte de juízes do STF. No caso, esses juízes seriam processados no Senado Federal, podendo sofrer um impeachment.”  (cf. https://padrepauloricardo.org/blog/aborto-chegou-a-hora-de-reagir).

Nossos deputados precisam ter a coragem de dar prosseguimento a essa lei que irá trazer um novo equilíbrio entre os poderes da República. Enquanto essa bendita lei não for aprovada e sancionada (e até depois disso), sigamos à risca o conselho do presidente chileno, e rezemos muito à Deus, para  que Ele mesmo ponha limites a esse mal que hoje emana da nossa Suprema Corte.

11 de junho de 2018

Não votarei em Bolsonaro!

É com profundo pesar que informo a todos amigos e conhecidos que de hoje em diante estou retirando o meu apoio a candidatura do deputado federal Jair Messias Bolsonaro à presidência da república devido a incompatibilidade de visão de mundo.

Diante das repetidas manifestações públicas de Bolsonaro a favor de políticas de controle de natalidade e contracepção sobretudo para a população mais pobre, sua candidatura se tornou inviável para mim por não se coadunar com a ideia de paternidade responsável e abertura à vida que a Igreja nos ensina.

Procurarei entre o candidatos aquele que mais se alinha a minha visão de mundo que é a católica conservadora.

Sem mais.

3 de junho de 2018

Triste retrato de nossos tempos


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O destaque dessa última semana foi o referendo que liberou o aborto na Irlanda. Sendo a Irlanda um país de muita tradição católica e com quase 80% da sua população afirmando seguir ainda essa religião, foi com certo rebuliço que o mundo recebeu essa notícia, sobretudo pela margem assombrosa com que os abortistas  venceram, mais de 66% dos votantes.

A pergunta a se fazer é essa: "como foi possível um resultado desses num país de maioria católica?" Todos sabem que a Igreja Católica é o último bastião pró-vida do mundo. Por isso ela é tão atacada pela ONU, mídia e ONGs abortistas em toda a parte. A Irlanda foi escolhida a dedo para ser a pedra da vez. Tudo foi muito bem planejado, nada aconteceu à toa. ONGs esquerdistas despejaram milhões em campanhas pró-aborto, e até bandas de rock consagradas como o U2 que eram tidos como bons moços, emprestaram sua imagem para a defender a liberação desse nefasto crime. Em que pese tudo isso, a principal causa da derrota da causa da vida na Irlanda não foi nem a grana, nem o empenho dos abortistas, mas sim a tibieza dos católicos de lá, que não conseguiram se mobilizar para repelir esse terrível mal. Uma igreja local já enfraquecida por escândalos recentes no clero ajudaram a jogar a pá de cal nessa triste situação.

A fim de se evitar o efeito Orloff (“Eu sou você amanhã”), é preciso que todo o mundo católico ponha as barbas de molho e ligue a luz de alerta. Reajamos, porque os maus agem no silêncio e na omissão dos bons. A queda da Irlanda foi um duro golpe para a Igreja, ainda que a causa da vida não interessasse tão somente a ela, mas a todo e qualquer ser humano.

Vivemos tempos de profundo relativismo moral, uma verdadeira “ditadura do relativismo” tão brilhantemente denunciada pelo hoje Papa Emérito Bento XVI. Cada um, mesmo na Igreja, parece querer ditar suas próprias regras morais, a despeito dos mandamentos que o próprio Senhor nos deixou. Poucos, mesmo no clero, se levantam contra esse que é um dos principais males da nossa época. Quase ninguém corrige o erro, quer privada, quer publicamente, a ponto deste ir ganhando status de verdade no meio católico. O católico “self-service”, aquele que escolhe o que quer acreditar na Igreja, vai se tornando cada dia mais representativo.

Essa mentalidade frouxa e malformada dos católicos é a matéria prima para que desgraças como a da Irlanda se repitam. Urge que todos os que creem busquem se formar e se informar sobre sua Fé, para que com a graça de Deus deem um testemunho profícuo em seus ambientes diários. Não podemos mais nos dar ao luxo de esperar uma exortação de um pároco ou vigário para nos formarmos, é preciso ir atrás da informação o quanto antes. Cada um compre logo o seu CIC (Catecismo da Igreja Católica), ou o “baixe” pela internet e o devore porque os tempos são maus. Lá encontraremos tudo que nos é necessário para termos uma vida reta e conforme os desígnios de Deus, que não nos negará sua Graça, se a Ele nos confiarmos com Fé, na vida e na oração.

São João Paulo II em sua brilhante encíclica “Evangelium Vitae”, no nº 13 já denunciava que o terrível pecado/crime do aborto estava profundamente ligado à mentalidade contraceptiva de nossos tempos. Apesar de aborto e contracepção serem pecados de gravidades e naturezas diferentes, ambos possuem a mesma raiz que consiste em enxergar a vida humana, propriamente os filhos, como um peso ou estorvo, surgindo dessa concepção egoísta e medíocre de vida, pretextos para evitá-los ou mesmo eliminá-los. Infelizmente, poucos em nossas paróquias e dioceses conseguem fazer essa associação. Quantas moças católicas fazem uso de Diu, pílula do dia seguinte (que são micro-abortivos) e contraceptivos como se fossem a coisa mais natural do mundo? A cultura do aborto e, portanto, cultura de morte, se nutre dessa ignorância e insensibilidade. Se quisermos combater o terrível pecado do aborto, precisamos combater também as ideias que o sustentam que estão enraizadas numa mentalidade contraceptiva/hedonista que já é tida por muitos, como normal e irreversível.

Vivamos nossa Fé com coragem e integridade. Não temamos incompreensões e isolamento. São Paulo já nos admoestava em Romanos 8, 18. que o sofrimento do tempo presente não tem proporção alguma com glória futura. Cristo quer ser anunciado com a nossa vida e palavra, sejamos fiéis.

Voltemos à Irlanda. Fizeram um referendo para se suprimir um direito fundamental, que é o direito à vida, como se o resultado de uma votação qualquer, vencida por uma maioria ocasional pudesse se sobrepor a realidade das coisas. Esticar a democracia a tais situações, desrespeitando os limites impostos pela própria natureza é arbítrio, tirania de uma maioria ocasional, uma verdadeira aberração. Isso corrói as estruturas da sociedade, gerando o caos e as sementes para a destruição da mesma. Tal referendo por si só, já é uma amostra de quão doente e confusa está nossa civilização.

Vendo as fotos das irlandesas comemorando, com largos sorrisos nos rostos, a possibilidade de matar seus filhos em seus próprios ventres sem que pudessem ser punidas por esse ato nefando, inevitavelmente ponho-me a pensar como um cidadão comum dos séculos futuros, ao se deparar com esse registro histórico de estranha felicidade explicaria tal cena para seu filho. Do que adianta tanto progresso material e tecnológico, se a moral decai? Um mundo que vira as costas para Deus e suas leis, cai na barbárie.


Vinde ó Deus em meu auxílio, socorrei-me sem demora.

21 de abril de 2018

Desmontando a peça fragilíssima de Raquel Dodge

Em meu último artigo denunciei a acusação ridícula e sem fundamentos da Procuradora Geral da República,a senhora Raquel Dodge. Agora quero indicar um vídeo que achei no Youtube que é simplesmente fantástico.

Um rapaz que não sei o nome, num vídeo um pouco longo é verdade, demonstra por A+B que a procuradora agiu de maneira totalmente amadora demonstrando ou uma profunda dificuldade de cognição, o que seria raro em pessoa de tão elevado cargo, ou absoluta má fé, o que seria muito pior.


Que bom que temos brasileiros atentos e capazes de desmontar e denunciar essas farsas grotescas que querem melar a eleição de 2018 retirando o único candidato de real apelo popular.


Confiram, pois vale muito a pena.  Segue o link:

https://youtu.be/rEdB47JZ1Ls





15 de abril de 2018

Raquel Dodge e a perseguição implacável a Jair Bolsonaro


Como eu já havia previsto em meu artigo anterior http://lucianoperim75.blogspot.com.br/2018/01/2018-uma-encruzilhada-para-o-brasil.html, o ano de 2018 está sendo muito difícil para o candidato Jair Bolsonaro do PSL. Quanto mais a eleição se aproxima, mais a candidatura de Bolsonaro se consolida e mais ele é atacado e perseguido. Já não há mais disfarce ou pudor, principalmente após a retirada de Lula do jogo eleitoral. O establishment esquerdista inconformado com a retirada do seu principal player quer agora mais do que antes sacrificar a candidatura de Bolsonaro para manter tudo como sempre esteve.

Mesmo que você não tenha a menor simpatia por Bolsonaro, e muitos não têm, é preciso reconhecer que ele tem sido vítima de uma perseguição abjeta e absurda por parte da mídia, MPF e judiciário em geral. Tem se tentado retirá-lo do jogo das formas mais espúrias e desavergonhadas, ou pelo menos minar a sua candidatura para que não tenha força para chegar ao segundo turno.

Agora, a procuradora geral da República, a senhora Raquel Dodge,  a mesma que alegou que a exigência de comprovante de impressão para garantir a recontagem de votos no processo eleitoral violaria o sigilo eleitoral do eleitor (sic), numa demonstração pública e cabal de pouca inteligência ou de má fé (talvez de ambos) denunciou o deputado federal Jair Bolsonaro pelo crime de racismo por conta de algumas piadinhas de mau gosto.

Que as piadas do referido deputado sejam de gosto duvidoso e desagradem muitas pessoas a ponto de fazê-lo perder alguns votos, é fato, mas daí a criminalizar a piada, deturpando o contexto e a maneira como foi manifestada, demonstra o quanto que o sistema está disposto a ir para eliminar uma candidatura realmente popular. O mesmo já foi tentado com Trump nos Estados Unidos nas últimas eleições, onde a mídia passava por cima dos crimes gravíssimos do casal Clinton, onde até um possível conluio com russos não teve a devida atenção para se concentrar na verborragia de Trump que chamou uma ou outra mulher de “gostosa” ou “gorda”.

Como a senhora Raquel Dodge não achou nenhum crime de corrupção para enquadrar Bolsonaro, como ele não foi incluído na Lava Jato, mas muito pelo contrário, sempre esteve a margem desses esquemas nojentos, tenta pegar o cara por piadinhas infelizes. Será que está faltando serviço para essa procuradora? Ou será que há algum interesse escuso por trás dessa perseguição implacável? Responda para nós, senhora Raquel Dodge, a quem a senhora serve? Com certeza não é ao povo brasileiro.

Luciano Perim Almeida

9 de abril de 2018

O Papa Francisco e o destino eterno das almas.(Por Roberto de Mattei)

 A finalidade da Igreja é a glória de Deus e a salvação das almas. Salvação de quê? Da condenação eterna, que é o destino que aguarda os homens que morrem em pecado mortal. Para a salvação dos homens, Nosso Senhor ofereceu sua Paixão Redentora. Nossa Senhora lembrou-o em Fátima: o primeiro segredo comunicado aos três pastores, aquele de 13 de julho de 1917, começa com a visão aterrorizante do mar de fogo do inferno. Se não fosse a promessa de Nossa Senhora de levá-los ao Céu, escreve a Irmã Lúcia, os videntes teriam morrido de comoção e medo. As palavras de Nossa Senhora são tristes e severas: “Vistes o inferno, onde caem as almas dos pobres pecadores. Para salvá-los, Deus quer estabelecer no mundo a devoção ao Meu Imaculado Coração”. Um ano antes, o Anjo de Fátima ensinara aos três jovens pastores esta oração: “Ó meu Jesus! Perdoai-nos, livrai-nos do fogo do Inferno, levai as almas todas para o Céu, principalmente aquelas que mais precisarem”.

Jesus fala repetidamente da “Geena” e do “fogo inextinguível” (Mt 5, 22, 13, 42, Mc 9, 43-49) reservado àqueles que se recusam a se converter no fim da vida. O primeiro fogo, o espiritual, é a privação da posse de Deus. É o castigo mais terrível, que constitui essencialmente o inferno, porque a morte dissolve como um feitiço os laços terrenos da alma, que anseia com toda sua força juntar-se a Deus, mas não pode fazê-lo porque escolheu livremente separar-se d’Ele pelo pecado.
A segunda pena, misteriosa, é aquela pela qual a alma sofre um fogo real, não metafórico, que acompanha inextinguivelmente aquele fogo espiritual da perda de Deus. E como a alma é imortal, a punição devida ao pecado mortal sem arrependimento dura tanto quanto dura a vida da alma, que é para sempre, para a eternidade. Esta doutrina é definida pelos Concílios Lateranense IV, Lyon II, de Florença e de Trento. Na constituição Benedictus Deus, de 29 de janeiro de 1336, com a qual condena os erros de seu predecessor João XXII sobre a visão beatífica, o Papa Bento XII afirma: “Nós definimos que, de acordo com a disposição geral de Deus, as almas daqueles que morrem em pecado mortal atual descem imediatamente ao inferno após a morte e lá sofrem a dor do inferno” (Denz-H 1002).
Em 29 de março de 2018, Quinta-feira Santa, apareceu um colóquio do Papa Francisco no jornal La Repubblica. Seu agora familiar interlocutor, Eugenio Scalfari, pergunta-lhe: “O senhor nunca me falou das almas que morrem em pecado e vão pagar eternamente no inferno. O senhor me falou, pelo contrário, das almas boas admitidas à contemplação de Deus. Mas e as almas ruins? Onde elas são punidas?”.
O Papa Francisco teria respondido assim: “Não são punidas. Aqueles que se arrependem obtêm o perdão de Deus e vão para as fileiras das almas que o contemplam; mas aqueles que não se arrependem e não podem, portanto, ser perdoados, desaparecem. Não existe um inferno, existe o desaparecimento das almas pecaminosas.”
Estas palavras, como soam, constituem uma heresia. O clamor já começava a se difundir quando a Sala de Imprensa do Vaticano interveio com uma declaração na qual se lê: o Papa Francisco “recebeu recentemente o fundador do jornal La Repubblica num encontro privado por ocasião da Páscoa, mas sem dar nenhuma entrevista. O que o autor diz no artigo de hoje é fruto de uma reconstrução feita por ele, na qual não são citadas palavras textuais pronunciadas pelo Papa. Nenhum texto entre aspas do artigo acima mencionado deve, portanto, ser considerado como uma transcrição fiel das palavras do Santo Padre”.
Não foi portanto uma entrevista, mas um colóquio privado que o Papa sabia bem que seria transformado em uma entrevista, porque assim aconteceu nos quatro encontros precedentes com o mesmo Scalfari. E se, apesar das controvérsias levantadas pelas entrevistas anteriores com o jornalista do La Repubblica, ele persiste em considerá-lo como seu interlocutor favorito, isso significa que o Papa pretende exercer, com esses colóquios, uma espécie de magistério midiático, com consequências inevitáveis.
Nenhuma frase – diz a Santa Sé – deve ser considerada como uma transcrição fiel, mas nenhum conteúdo específico da entrevista é negado, de tal maneira que não sabemos se, e em que ponto, o pensamento bergogliano foi deturpado. Em cinco anos de pontificado, Francisco nunca fez uma única referência ao inferno como castigo eterno para as almas que morrem em pecado. Para esclarecer seu pensamento, o Papa, ou a Santa Sé, deveria reafirmar publicamente a doutrina católica, em todos os pontos da entrevista nos quais ela foi negada. Isso infelizmente não aconteceu e fica-se com a impressão de que a notícia de La Repubblica não é uma fake news, mas uma iniciativa deliberada, para aumentar a confusão dos fiéis.
A tese segundo a qual a vida eterna seria reservada às almas dos justos, enquanto as dos ímpios desapareceriam, é uma antiga heresia, que nega, além da existência do inferno, a imortalidade da alma definida como verdade de fé pelo Concílio de Latrão V (Denz-H, n 1440). Essa opinião extravagante foi expressa pelos socinianos, pelos protestantes liberais, por alguns seitas adventistas e, na Itália, pelo pastor valdense Ugo Janni (1865-1938), teórico do “pancristianismo” e grão-mestre maçônico da loja Mazzini, de Sanremo.
Para esses autores, a imortalidade é um privilégio concedido por Deus apenas às almas dos justos. O destino das almas obstinadas no pecado não seria um castigo eterno, mas a perda total do ser. Essa doutrina também é conhecida como “imortalidade facultativa” ou “condicionalismo”, porque considera que a imortalidade é condicionada pela conduta moral. O termo da vida virtuosa é a perpetuidade do ser; o termo da vida culposa é a autodestruição.
O condicionalismo se une ao evolucionismo porque afirma que a imortalidade é uma conquista das almas, uma espécie de ascensão humana análoga à “seleção natural” que leva os organismos inferiores a se tornarem organismos superiores. Trata-se de uma concepção pelo menos implicitamente materialista, porque a verdadeira razão para a imortalidade da alma é a sua espiritualidade – o que é espiritual não pode ser dissolvido –, enquanto quem afirma a possibilidade de uma decomposição da alma lhe atribui uma natureza material. Uma substância simples e espiritual como a alma não poderia perdê-la senão pela intervenção de Deus, mas isso é negado pelos condicionalistas, porque significaria admitir a sanção de um Deus justo que recompensa e pune, no tempo e na eternidade. Por outro lado, sua concepção de um Deus apenas misericordioso atribui à vontade do homem a faculdade de autodeterminação, escolhendo tornar-se uma centelha incorporada no fogo divino ou extinguir-se no nada absoluto.
O panteísmo e o niilismo são as opções deixadas ao homem nesta cosmologia que nada tem a ver com a fé católica e com o bom senso. E para um ateu, já convencido de que nada existe depois da morte, o condicionalismo tira essa possibilidade de conversão, que é dada pelo timor Domini: o temor do Senhor é o princípio da Sabedoria (Salmos 110, 10), a cujo julgamento ninguém escapará. É somente crendo na infalível justiça de Deus que podemos nos abandonar à Sua imensa misericórdia. Nunca como agora se faz necessária a pregação do destino final das almas, que a Igreja resume nos quatro Novíssimos: Morte, Juízo, Inferno e Paraíso. Nossa Senhora em pessoa quis lembrá-lo em Fátima, prevendo a deserção dos Pastores, mas nos assegurando que a assistência do Céu nunca nos faltará.
Fonte: Corrispondenza romana, Tradução: Hélio Dias Viana – FratresInUnum.com

8 de abril de 2018

Declaração Final da Conferência de Roma reafirma a doutrina católica e responde aos “dubia”

“Portanto, damos testemunho e confessamos…”

Declaração final da conferência “Igreja Católica, para onde vais?”
Roma, 7 de abril de 2018
Devido a interpretações contraditórias da Exortação Apostólica Amoris laetitia, tem alastrado o descontentamento e a confusão entre os fiéis do mundo inteiro.
O pedido urgente de esclarecimento apresentado ao Santo Padre por cerca de um milhão de fiéis, mais de 250 académicos e vários cardeais, não obteve resposta.
No meio do grave perigo que se levantou para a fé e para a unidade da Igreja, nós, membros do Povo de Deus batizados e confirmados, somos chamados a reafirmar nossa fé católica.
O Concílio Vaticano II nos autoriza e encoraja a fazê-lo, afirmando em Lumen Gentium n. 33: “Deste modo, todo e qualquer leigo, pelos dons que lhe foram concedidos, é ao mesmo tempo testemunha e instrumento vivo da missão da própria Igreja, «segundo a medida concedida por Cristo» (Ef. 4,7)”.
O beato John Henry Newman também nos encoraja a fazê-lo. No seu ensaio profético “On consulting the faithful in matters of doctrine [Sobre a consulta aos fiéis em assuntos de doutrina]”, de 1859, falou da importância dos leigos darem testemunho da fé.
Portanto, de acordo com a tradição autêntica da Igreja, damos testemunho e confessamos que:

1) Um casamento ratificado e consumado entre duas pessoas batizadas só pode ser dissolvido pela morte.
2) Por consequência, os cristãos unidos por um casamento válido que se juntam a outra pessoa enquanto o seu cônjuge continua vivo cometem o grave pecado do adultério.
3) Estamos convictos de que este é um mandamento moral absoluto que obriga sempre e sem exceção.
4) Estamos também convictos de que nenhum julgamento de consciência subjetivo pode fazer bom e lícito um ato intrinsecamente mau.
5) Estamos convictos de que o julgamento sobre a possibilidade de administrar a absolvição sacramental não se baseia na imputabilidade do pecado cometido, mas na intenção do penitente de abandonar um modo de vida que é contrário aos mandamentos divinos.
6) Estamos convictos de que as pessoas divorciadas e civilmente recasadas, que não estão dispostas a viver em continência, estão a viver numa situação objetivamente contrária à lei de Deus e, portanto, não podem receber a Comunhão Eucarística.

Nosso Senhor Jesus Cristo diz: «Se permanecerdes fiéis à minha mensagem, sereis verdadeiramente meus discípulos, conhecereis a verdade e a verdade vos tornará livres.» (Jo 8, 31-32).
Com esta confiança, confessamos a nossa fé diante do supremo pastor e mestre da Igreja juntamente com os bispos e lhes pedimos que nos confirmem na fé.
(tradução livre a partir do texto publicado em inglês no One Peter Five)
A edição original deste texto foi publicada pelo One Peter Five a 7 de abril de 2018. Tradução: odogmadafe.wordpress.com
Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade da sua autora, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.
Fonte: https://odogmadafe.wordpress.com/2018/04/08/declaracao-final-da-conferencia-de-roma-reafirma-a-doutrina-catolica-e-reponde-aos-dubia/

21 de janeiro de 2018

2018, uma encruzilhada para o Brasil

2018 está começando sob os auspícios da “Lava-Jato” que levará Lula ao julgamento em 2ª instância no TRF-4 no próximo dia 24/01. É muito emblemático que um ex-presidente da república esteja tão perto de ser trancafiado por conta de seus crimes, na verdade por uma ínfima parte deles.

É fato que não temos motivos para nos orgulhar dos últimos ocupantes do Planalto.Tivemos Collor, uma figura esquisita elevada a categoria de presidente pela Rede Globo e que sofreu impeachment. Dilma uma ex-guerrilheira totalmente inepta que conseguiu se eleger, pasmem vocês, não uma mas duas vezes, sendo a última de maneira bem suspeita. Também sofreu impeachment. FHC, um legítimo "esquerda caviar" pertencente a elite globalista que nos últimos tempos virou um apologista da maconha e defensor de Lula. E Temer. Temer foi vice de Dilma nos dois mandatos e isso já diz muito sobre sua pessoa.

Esses presidentes nos governaram no período pós-1984 que os historiadores chamam de redemocratização. Analisando friamente esse período, percebemos que: nossa educação se tornou uma das piores do mundo, o processo de emburrecimento e idiotização da população acelerou a passos largos, a violência atingiu níveis absurdos, sendo que nossas estatísticas de homicídios são de guerra, a impunidade e a esculhambação se tornaram quase  a regra geral , e isso tudo sem falar na corrupção generalizada que alcançou seu ápice no mensalão e petrolão do PT.

Parte da elite política-jurídica brasileira e da mídia sofreram lavagem cerebral nas faculdades amplamente dominadas pelo marxismo cultural. Por conta disso, elas tem dificuldades para perceber os anseios reais da população, preferindo antes desqualificá-la do que compreendê-la, uma vez que suas demandas não se encaixam no recorte ideológico desejado. Não entendem que Pedro, Maria e  José, comedores de feijão com arroz, querem apenas um país melhor, mais sério, mais justo, e com menos privilégios para as castas atuais. Querem uma escola que ensine matemática e português, e não uma porcaria de ideologia de gênero que só serve para confundir a cabeça de seus filhos. Que bandidos sejam tratados como bandidos (ainda que não tenham 18 anos completos). Que crianças não sejam expostas a homens nus e obras indecentes que fazem apologia à pedofilia em museus com incentivo fiscais e defesa do MPF. Que o dinheiro público tão escasso não vá parar em paradas LGBTs. Que pais não sejam punidos simplesmente porque deram uma palmadinha nos seus filhos. Não, definitivamente nosso povo não quer nada disso.

Existe ao menos um pré-candidato à presidência que compreendeu e representa os anseios desse Brasil real, e não as experiências sociológicas fracassadas de um punhado de almofadinhas, e isso está fazendo com que o establishment político-midiático produza algumas reações desesperadas. Vejamos: esta semana, FHC comparou em uma entrevista Jair Bolsonaro a Hitler, e ainda que não citasse nominalmente o deputado, ficou claro que era a ele que se referia. Na mesma entrevista achou tempo para sair em defesa de Lula. A Folha de São Paulo fez uma reportagem no mínimo malandra para tentar manchar a reputação do mesmo deputado ao induzir que o seu patrimônio seria incompatível com sua renda de político. E ainda, o Foicebook (digo Facebook) mudou seu algoritmo de maneira a praticamente eliminar a influência das páginas políticas, afetando drasticamente a relevância das páginas conservadoras que são a maioria na rede. Tudo isso num breve intervalo de dias, como que orquestrado.

Soma-se a esse cenário de distorção da realidade um sistema eleitoral que não inspira qualquer confiança. Nossas urnas eletrônicas não são auditáveis. Nem precisam ser fraudadas, porque já são uma fraude em si mesmas, uma vez que a apuração se restringe a um punhado de técnicos reclusos e não existe a possibilidade de recontagem dos votos. Uma votação que não pode ser conferida perde a sua credibilidade. As cédulas de papel eram muito mais confiáveis que essas urnas, simplesmente pelo fato de que se tivéssemos quaisquer dúvidas, bastaria uma recontagem manual dos votos. O Deputado Jair Bolsonaro propôs uma projeto de lei que foi aprovado pelo Congresso e que prevê ao menos uma solução intermediária para isso. A ideia era instalar uma impressora junto a cada urna eletrônica para se imprimir e coletar cada voto, permitindo com isso a sua recontagem, se necessário. No entanto o TSE, presidido pelo ministro Gilmar Mendes,  está claramente desrespeitando a lei com a desculpa de que não há tempo hábil e nem recursos disponíveis para a implantação dessas impressoras, como se estabelecer a confiança no processo eleitoral não fosse algo urgente e necessário.

Ampliemos nesse momento nosso horizonte e analisemos o contexto em que se dará as eleições brasileiras.

Após a derrocada do socialismo em 1989, a esquerda latina-americana se organizou através do Foro de São Paulo e elaborou um plano para recuperar na América Latina o espaço perdido na Europa. Suas diretrizes e estratégias foram traçadas nos vários encontros que tiveram início em São Paulo no anos 90.

Eles tiveram muito sucesso na execução dos seus objetivos graças ao empenho pessoal de Fidel Castro e Lula, e conseguiram eleger governos de esquerda em quase toda a América do Sul. Na Venezuela, Chávez-Maduro, no Equador, Rafael Correa, na Bolívia, o cocaleiro  Evo Morales, no Uruguai, Mujica, no Paraguai, o ex-bispo Fernando Lugo, na Argentina, Cristina Kirchiner e o próprio Lula e Dilma no Brasil.

Entendamos que esse socialismo do século XXI desejado pelos participantes do Foro de São Paulo é muito mais uma revolução cultural do que propriamente um sistema econômico-político baseado na socialização dos meios de produção. Seu alvo principal é a subversão da sociedade através da destruição da família tradicional e do confinamento da religião a mera expressão privada, fortalecendo indefinidamente o Estado em detrimento do indivíduo e de suas liberdades.

Foi na Venezuela e também na Bolívia, que este socialismo do século XXI alcançou seus maiores feitos e conseguiu ser implementado de fato. A destruição total da economia nesses países, morte, fome e perseguição, traços típicos de qualquer nação socialista que se preze, abundaram por lá. Bom que se diga que ambas as tiranias contam com o apoio irrestrito do PT e dos partidos de esquerda no Brasil. Isso nos dá um sinal inequívoco da hipocrisia amoral da esquerda que fica estridente por conta de alguns excessos ocorridos durante o período militar, mas ao mesmo tempo é incapaz de se comover com o sofrimento do povo venezuelano, e boliviano. O que os impediria de fazer algo semelhante no Brasil se tivessem a oportunidade?

Diante de tudo que foi exposto, se numa roda de colegas/amigos ou mesmo num debate acalorado entre familiares, alguém disser que tem medo do que vai acontecer em 2018, por causa desse Bolsonaro que algumas raposas políticas e a mídia mainstream querem nos fazer crer que é um louco autoritário, digam que o verdadeiro risco para o país é o de não mudar, mantendo esse mesmo establisment esquerdista que está no poder há quase 40 anos e que consequente levará à venezuelização do Brasil.

A luta contra a Fake News vai ser longa e árdua, sejamos firmes e vigiemos porque esse ano é decisivo e está  começando.

Que a Virgem de Fátima livre o Brasil e todas as nações latino americanas das garras do comunismo. 

Luciano Perim Almeida

15 de janeiro de 2018

A Venezuela pede socorro


Resultado de imagem para Jesus Misericordioso nuvem Venezuela
(23 de abril de 2017 - Domingo da Divina Misericórdia - A imagem de Cristo Misericordioso aparece nas nuvens da cidade de Maracaibo na Venezuela)
Hoje morreu Óscar Pérez, o piloto venezuelano que sobrevoou e atacou prédios públicos em Caracas em junho passado para divulgar os excessos e a tirania do governo Maduro. Militar treinado e preparado, Pérez tinha a pretensão de unir o povo venezuelano numa reação militar ao cada vez mais sufocante governo socialista de Nicolás Maduro. Infelizmente, foi assassinado pelos tiranos, mesmo anunciando sua rendição.

A Venezuela era para ser o país mais rico da América Latina. Suas reservas petrolíferas são imensas e seriam capazes de alavancar a economia de qualquer país, bastando que fossem administradas com o mínimo de responsabilidade. Mas para a desgraça do povo venezuelano, um dos seus militares, o senhor Hugo Chávez, que após enganar quase todos com uma campanha política light, se elegeu presidente em 1998. Revelando-se um comunista de carteirinha implantou sem demora o socialismo do século XXI. Suas ações como as estatizações levaram desemprego, pobreza, fome e divisão ao outrora promissor país. Após a sua morte em 2013, o pesadelo venezuelano em vez de terminar, piorou ainda mais, porque o seu sucessor Nicolás Maduro se mostrou ainda mais louco e cruel.

A fome, a miséria, a inflação, o desemprego, o tráfico, a prostituição, e a falta de medicamentos assolam toda a Venezuela. A situação é catastrófica e demanda o quanto antes uma intervenção internacional. O governo virou as costas para a população e só se preocupa em se manter no poder a custa do sacrifício do próprio povo. ONU, OEA e países como Brasil e Argentina, pouco ou nada fazem. A população venezuelana desarmada e carente de liderança padece um inferno que parece não ter fim.

Nesta hora terrível é preciso rezarmos por esses nossos irmãos, clamarmos a Deus Nosso Senhor e a sua Mãe Maria Santíssima, sob o título de Nossa Senhora de Guadalupe, rainha e padroeira da América Latina para que olhem a dor desse povo sofrido. 

Não sejamos indiferentes. É muito, muito triste o que nossos irmãos estão passando. É preciso que as lideranças das nações livres se deixem  sensibilizar e ajam o quanto antes. Urge que algo seja feito. Não é possível que assistamos um povo ser dizimado por uma tirania, e não façamos nada.




4 de janeiro de 2018

Profissão das verdades imutáveis em relação ao matrimônio sacramental

Profissão das verdades imutáveis em relação ao matrimónio sacramental

Depois da publicação da Exortação Apostólica “Amoris laetitia” (2016), vários bispos emanaram, a nível local, regional e nacional, normas aplicativas acerca da disciplina sacramental daqueles fiéis, ditos “divorciados recasados”, que, vivendo ainda ligados ao cônjuge ao qual estão unidos por um vínculo matrimonial válido, iniciaram no entanto uma convivência more uxorio estável com uma pessoa que não é o seu cônjuge legítimo.

As normas mencionadas contemplam, entre outras coisas, que, em casos individuais, as pessoas ditas “divorciadas recasadas” possam receber o sacramento da Penitência e a Sagrada Comunhão, mesmo continuando a viver habitual e intencionalmente more uxorio com uma pessoa que não é o seu cônjuge legítimo. Tais normas pastorais receberam a aprovação de várias autoridades hierárquicas. Algumas destas normas receberam, até, a aprovação da suprema autoridade da Igreja.

A difusão de tais normas pastorais aprovadas eclesiasticamente causou uma notável e sempre crescente confusão entre os fiéis e o clero, uma confusão que toca as manifestações centrais da vida da Igreja, como o matrimónio sacramental, a família, a igreja doméstica e o sacramento da Santíssima Eucaristia.

Segundo a doutrina da Igreja, apenas através do vínculo matrimonial sacramental se constitui uma igreja doméstica (cfr. Concílio Vaticano II, Lumen Gentium, 11). A admissão dos fiéis chamados “divorciados recasados” à Sagrada Comunhão, a qual é a expressão máxima da unidade de Cristo-Esposo com a Sua Igreja, significa, na prática, um modo de aprovação ou de legitimação do divórcio e, neste sentido, uma espécie de introdução do divórcio na vida da Igreja.
As mencionadas normas pastorais revelam-se de facto, e com o tempo, como um meio de difusão da “chaga do divórcio”, uma expressão usada no Concílio Vaticano II (cfr. Gaudium et Spes, 47). Trata-se da difusão da “chaga do divórcio” até mesmo na vida da Igreja, quando na verdade a Igreja deveria ser a causa da fidelidade incondicional à doutrina de Cristo, um baluarte e um sinal inconfundível de contradição contra a chaga cada dia mais difundida do divórcio na sociedade civil.

De modo inequívoco, e sem admitir qualquer excepção, o Nosso Senhor e Redentor Jesus Cristo reconfirmou solenemente a vontade de Deus em relação à proibição absoluta do divórcio. Uma aprovação ou legitimação da violação do vínculo sacramental matrimonial, ainda que através da referida nova disciplina sacramental, contradiz de modo grave a expressa vontade de Deus e o Seu mandamento. Tal prática representa, assim, uma alteração substancial da bimilenária disciplina sacramental da Igreja. Para além disto, uma disciplina substancialmente alterada comportará, com o tempo, também uma correspondente alteração na doutrina.

O Magistério constante da Igreja, começando com os ensinamentos dos Apóstolos e de todos os Sumos Pontífices, conservou e transmitiu fielmente, quer na doutrina (na teoria) quer na disciplina sacramental (na prática), de modo inequívoco, sem qualquer sombra de dúvida e sempre no mesmo sentido e no mesmo significado (eodem sensu eademque sententia), o cristalino ensinamento de Cristo acerca da indissolubilidade do matrimónio.

Por causa da sua natureza divinamente estabelecida, a disciplina dos sacramentos não deve jamais contradizer a palavra revelada por Deus e a fé da Igreja na indissolubilidade absoluta do matrimónio rato e consumado. “Os sacramentos não só supõem a fé, mas também a alimentam, fortificam e exprimem por meio de palavras e coisas, razão pela qual se chamam sacramentos da fé” (Concílio Vaticano II, Sacrosanctum Concilium, 59). “Nem mesmo a autoridade suprema da Igreja pode mudar a liturgia a seu bel-prazer, mas somente na obediência da fé e no respeito religioso do mistério da liturgia” (Catecismo da Igreja Católica, 1125). A fé católica, pela sua natureza, exclui uma contradição formal entre a fé professada, por um lado, e a vida e a prática dos sacramentos, pelo outro. Neste sentido também se pode entender as afirmações do Magistério: “Este divórcio entre a fé que professam e o comportamento quotidiano de muitos deve ser contado entre os mais graves erros do nosso tempo” (Concílio Vaticano II, Gaudium et spes, 43) e “a pedagogia concreta da Igreja deve estar sempre ligada e nunca separada da sua doutrina” (João Paulo II, Exortação ApostólicaFamiliaris consortio, 33).

Em virtude da importância vital que constituem a doutrina e a disciplina do matrimónio e da Eucaristia, a Igreja é obrigada a falar com a mesma voz. As normas pastorais em relação à indissolubilidade do matrimónio não devem, portanto, contradizer-se entre uma diocese e outra, entre um país e outro. Desde o tempo dos Apóstolos, a Igreja observou este princípio, como o atesta Santo Ireneu de Lião: “A Igreja, ainda que difundida por todo o mundo até às extremidades da terra, tendo recebido dos Apóstolos e dos seus discípulos a fé, conserva esta pregação e esta fé com zelo e, come se habitasse numa única casa, crê num mesmo modo idêntico, come se tivesse uma única alma e um único coração, e prega as verdades de fé, ensina-as e transmite-as com voz unânime, como se tivesse uma só boca” (Adversus haereses, I, 10, 2). São Tomás de Aquino transmite-nos o mesmo princípio perene da vida da Igreja: “Existe uma só fé dos antigos e dos modernos, caso contrário não existiria a única e mesma Igreja” (Questiones Disputatae de Veritate, q. 14, a. 12c).

Permanece actual e válida a seguinte admoestação: “confusão criada na consciência de muitos fiéis pelas divergências de opiniões e de ensinamentos na teologia, na pregação, na catequese e na direcção espiritual, acerca de questões graves e delicadas da moral cristã, acaba por fazer diminuir, quase até à sua extinção, o verdadeiro sentido do pecado” (Exortação Apostólica Reconciliatio et paenitenia, 18).

À doutrina e disciplina sacramental relativas à indissolubilidade do matrimónio rato e consumado é plenamente aplicável o sentido das seguintes afirmações do Magistério da Igreja:

· “A Igreja de Cristo, diligente custódia e defensora dos dogmas a ela confiados, jamais os mudou em nada, nem diminuiu, nem acrescentou, antes, tratando, fiel e sabiamente, com todos seus recursos as verdades que a antiguidade tem esboçado e a fé dos Padres tem semeado, de tal maneira trabalha por arquivá-las e poli-las, para que os antigos dogmas da celestial doutrina recebam claridade, luz, precisão, sem que se percam, sem restrição, sua plenitude, sua integridade, sua índole própria e se desenvolvam tão só segundo sua natureza; e dizer o mesmo dogma, no mesmo sentido e parecer” (Pio IX, Bula dogmáticaIneffabilis Deus).

· “Quanto à própria substância da verdade, a Igreja tem, diante de Deus e dos homens, o sacro dever de anunciá-la, de ensiná-la sem qualquer atenuação, como Cristo a revelou, e não existe qualquer condição de tempos que possa fazer declinar o rigor desta obrigação. Esta obriga em consciência todos os sacerdotes a quem é confiada a assistência de formar, advertir e de guiar os fiéis” (Pio XII, Discurso aos párocos e aos pregadores quaresmalistas, 23 Março 1949).

· A Igreja nem historiciza nem relativiza em metamorfoses da cultura profana a natureza da Igreja, sempre igual e fiel a si mesma, como Cristo a quis e a autêntica tradição a aperfeiçoou” (Paulo VI, Homilia de 28 Outubro 1965).

· “Não minimizar em nada a doutrina salutar de Cristo é forma de caridade eminente para com as almas” (Paulo VI, EncíclicaHumanae Vitae, 29).

· As eventuais dificuldades conjugais sejam resolvidas sem nunca falsificar e comprometer a verdade” (João Paulo II, Exortação Apostólica Familiaris consortio, 33).

· De tal norma [da lei moral] a Igreja não é, certamente, nem a autora nem o juiz. Em obediência à verdade que é Cristo, cuja imagem se reflecte na natureza e na dignidade da pessoa humana, a Igreja interpreta a norma moral e propõe-na a todos os homens de boa vontade, sem esconder as suas exigências de radicalidade e de perfeição” (João Paulo II, Exortação ApostólicaFamiliaris consortio, 33).

· O outro é o princípio da verdade e da coerência, pelo qual a Igreja não aceita chamar bem ao mal e mal ao bem. Baseando-se nestes dois princípios complementares, a Igreja mais não pode do que convidar os seus filhos, que se encontram nessas situações dolorosas, a aproximarem-se da misericórdia divina por outras vias, mas não pela via dos Sacramentos, especialmente da Penitência e da Eucaristia, até que não tenham podido alcançar as condições requeridas” (João Paulo II, Exortação Apostólica Reconciliatio et paenitentia, 34).

· “A firmeza da Igreja em defender as normas morais universais e imutáveis, nada tem de humilhante. Fá-lo apenas ao serviço da verdadeira liberdade do homem: dado que não há liberdade fora ou contra a verdade” (João Paulo II, Encíclica Veritatis splendor, 96).

· “Diante das normas morais que proíbem o mal intrínseco, não existem privilégios, nem excepções para ninguém. Ser o dono do mundo ou o último «miserável» sobre a face da terra, não faz diferença alguma: perante as exigências morais, todos somos absolutamente iguais” (João Paulo II, Encíclica Veritatis splendor, 96).

· “O dever de reafirmar esta impossibilidade de admitir à Eucaristia é condição de verdadeira pastoralidade, de autêntica preocupação pelo bem destes fiéis e de toda a Igreja, porque indica as condições necessárias para a plenitude da conversão à qual todos estão sempre convidados pelo Senhor” (Pontifício Conselho para os Textos Legislativos, Declaração acerca da admissão à Sagrada Comunhão dos divorciados recasados, de 24 Junho de 2000, n. 5)

Como bispos católicos, os quais – segundo o ensinamento do Concílio Vaticano II – devem defender a unidade da fé e a disciplina comum da Igreja e procurar que surja para todos os homens a luz da plena verdade (cfr Lumen gentium, 23), somos forçados em consciência a professar, diante da actual e difusa confusão, a imutabilidade do matrimónio segundo o ensinamento bimilenário e inalterado do Magistério da Igreja. Neste espírito, reiteramos:

· As relações sexuais entre pessoas que não estão ligadas entre elas pelo vínculo de um matrimónio válido – coisa que se verifica no caso dos chamados “divorciados recasados” – são sempre contrárias à vontade de Deus e constituem uma grave ofensa a Deus.

· Nenhuma circunstância ou finalidade, nem mesmo uma possível inimputabilidade ou culpa diminuída, podem tornar tais relações sexuais uma realidade moral positiva e agradável a Deus. O mesmo vale para os outros preceitos negativos dos Dez Mandamentos de Deus. Porque “há determinados actos que, por si mesmos e em si mesmos, independentemente das circunstâncias, são sempre gravemente ilícitos, por motivo do seu objecto” (João Paulo II, Exortação Apostólica Reconciliatio et paenitentia, 17).

· A Igreja não possui o carisma infalível de julgar sobre o estado interno de graça de um fiel (cfr. Concílio de Trento, sess. 24, cap. 1). A não admissão à Sagrada Comunhão dos ditos “divorciados recasados” não significa, portanto, um juízo sobre os seus estados de graça diante de Deus, mas um juízo sobre o carácter visível, público e objectivo das suas situações. Por causa da natureza visível dos sacramentos e da própria Igreja, a recepção dos sacramentos depende necessariamente da correspondente situação visível e objectiva dos fiéis.

· Não é moralmente lícito manter relações sexuais com uma pessoa que não é o próprio cônjuge legítimo para supostamente evitar um outro pecado. Porque a palavra de Deus ensina-nos que não é lícito “fazer o mal para que venha o bem” (Rm 3, 8).

· A admissão de tais pessoas à Sagrada Comunhão só pode ser permitida quando, com a ajuda da graça de Deus e um acompanhamento pastoral paciente e individual, elas fazem um propósito sincero de cessar desse momento em diante o hábito de tais relações sexuais e de evitar o escândalo. Nisto se expressou sempre, na Igreja, o verdadeiro discernimento e o autêntico acompanhamento pastoral.

· As pessoas que têm relações sexuais não conjugais habituais violam, com tal estilo de vida, os seus indissolúveis vínculos nupciais sacramentais em relação aos seus legítimos cônjuges. Por esta razão, não são capazes de participar “em espírito e em verdade” (cfr. Jo 4, 23) na ceia nupcial eucarística de Cristo, tendo em conta também as palavras do rito da Sagrada Comunhão: “Felizes os convidados para ceia nupcial do Cordeiro!” (Ap 19, 9).

· O cumprimento da vontade de Deus, revelada nos Seus Dez Mandamentos e na Sua explícita e absoluta proibição do divórcio, constitui o verdadeiro bem espiritual das pessoas, aqui na terra, e conduzi-las-á à verdadeira alegria do amor, na salvação da vida eterna.

Sendo os bispos, no seu ofício pastoral aqueles “que velam pela fé católica e apostólica” (cfr. Missale Romanum, Canon Romanus), somos conscientes desta grave responsabilidade e do nosso dever diante dos fiéis, que esperam de nós uma profissão pública e inequívoca da verdade e da disciplina imutável da Igreja sobre a indissolubilidade do matrimónio. Por esta razão, não nos é possível calar.

Afirmamos, portanto, no espírito de São João Baptista, de São João Fisher, de São Tomás More, da Beata Laura Vicuña e de numerosos conhecidos e desconhecidos confessores e mártires da indissolubilidade do matrimónio:

Não é lícito (non licet) justificar, aprovar ou legitimar, nem directa nem indirectamente, o divórcio ou uma relação sexual estável não conjugal através da disciplina sacramental da admissão dos chamados “divorciados recasados” à Sagrada Comunhão, tratando-se neste caso de uma disciplina alheia à inteira Tradição da fé católica e apostólica.

Fazendo esta pública profissão diante da nossa consciência e diante de Deus que nos julgará, estamos sinceramente convictos de ter prestado um serviço, da caridade na verdade, à Igreja dos nossos dias e ao Sumo Pontífice, Sucessor de São Pedro e Vigário de Cristo na terra.

31 de Dezembro de 2017, Festa da Sagrada Família, no ano do centenário das aparições de Nossa Senhora em Fátima.

+ Tomash Peta, Arcebispo Metropolita da arquidiocese de Santa Maria em Astana
+ Jan Pawel Lenga, Arcebispo-Bispo emérito de Karaganda
+ Athanasius Schneider, Bispo auxiliar da arquidiocese de Santa Maria em Astana

Fonte: https://senzapagare.blogspot.com.br/2018/01/contra-confusao-doutrinal-3-bispos.html?m=1

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