segunda-feira, 31 de outubro de 2011

DIREITOS DESUMANOS

É como um desabafo que irei escrever esse breve artigo.

Minha mãe teve a sua casa invadida recentemente em Cachoeiro de Itapemirim por um bandido. Na verdade é quarta ou quinta invasão que a casa sofreu num período de sete anos. Até aí  “tudo bem”, só que dessa vez a invasão foi à luz do dia e com isso mamãe pôde perceber o intruso quando ele mexeu na porta da área de serviço.  Na mesma hora, a mãe teve  rapidez de raciocínio para segurar a porta entre a cozinha e a sala com as mãos e gritar desesperadamente, alertando, dessa forma, minha irmã para que fugisse para a varanda da sala com meu sobrinho que é deficiente auditivo. Felizmente, o meliante não avançou sobre eles e pulou o muro por detrás da casa onde foi pego pela polícia poucos minutos depois, graças à Deus.

Todos lá em casa estão transtornados e amedrontados com o ocorrido. Rapidamente começaram os gastos com alarme, interfone, novas fechaduras, segurança particular e posteriormente grades e cerca elétrica. Minha mãe está traumatizada e nem consegue ir ao terraço sozinha.

Pois bem, o invasor  foi pego em flagrante no terreno baldio atrás da casa. Mamãe fez o B.O. e a queixa-crime. Na delegacia, o delegado a informou que não poderia deter o marginal e que logo, logo ele seria solto. Dito e feito. O bandido invadiu a casa da mamãe ás 17:10 hs. Ás 18:00 hs já estava na delegacia, e por duas vezes na madrugada do dia seguinte passou em frente a casa da minha mãe,  gritando, chutando o portão e fazendo novas e piores ameaças.

Esse é o nosso Brasil, sinto-me enojado, indignado com esse tipo de situação. Um cara que invadiu uma residência, colocando em risco uma família inteira, e que não passa nem uma noite na cadeia, é uma grande vergonha! Perdemos totalmente o senso de justiça nesse país!

Depois da ditadura militar, onde houve excessos por parte de alguns militares, resolveu-se fazer uma nova constituição em 1988 que primasse pela defesa dos direitos humanos, até aí nada demais, quem em sã consciência poderia ser contrário a defesa dos verdadeiros direitos humanos? Só que em nome de algo tão nobre, nossos legisladores fizeram uma verdadeira distorção daquilo que seriam os verdadeiros valores e direitos humanos. Coisas como essas que aconteceram à minha mãe (libertação do bandido) se repetem aos milhares todos os dias nesse pobre país. Onde estão os direitos humanos dos que se tornaram reféns do crime? Onde estão os direitos humanos daqueles que se remoem de dor e medo ao assistir de forma impotente o triunfo da injustiça e da impunidade?

Quantos marginais que jamais poderiam passar nem 15 minutos nas ruas, pelo imenso risco que oferecem a sociedade são premiados a toda hora com indultos e mais indultos para praticarem seus crimes sem serem incomodados ?

Esse quadro terrível de injustiça piorou ainda mais  depois que a nossa presidenta-companheira Dilma sancionou a Lei Federal nº 12.403 em maio de 2011. O que já era ruim destrambelhou de vez, essa lei nefanda pode liberar presos acusados de crimes dolosos, só pelo fato da pena correspondente ao crime cometido ser menor que quatro anos! Vergonha!  A desculpa da hora para essa sem-vergonhice é a superlotação dos presídios.

Então é assim, o Estado investe pouco ou mal na construção ou melhoria dos presídios, e tenta então tapar o sol com a peneira.  Já que não consegue criar as vagas necessárias nas cadeias, muda então  a lei para soltar a bandidagem e esta poder continuar a aterrorizar a população. Junte-se a esse quadro lamentável os rios de dinheiro que são gastos em campanhas e publicidades para desarmar a população de bem (ou alguém acredita que bandido vá entregar alguma arma ?) e teremos então o paraíso dos malfeitores !

Onde isso irá parar? Se nada for feito, se a sociedade não reagir e os legisladores não mudarem essas leis que só alimentam o caos e incentivam a criminalidade ficaremos cada vez mais reféns dos criminosos.  Como aceitar que bandidos não paguem por seus crimes? Chega de injustiça, chega de impunidade. Nenhuma sociedade decente é capaz de conviver com tamanho absurdo.

Finalizando: Esse é o país que tá torrando uma dinheirama sem fim para fazer Copa do Mundo e Olimpíada. A saúde tá um caos, e a segurança que é o mínimo que um Estado deveria oferecer aos seus cidadãos está na UTI. O pior de tudo que dinheiro não falta (vide nossa carga tributária), ele é tão somente muito mal aplicado e freqüentemente desviado para os propinodutos que tem alimentado pessoas, partidos e feudos políticos nesse país.

Precisamos de mais justiça, de mais presídios e de leis que redescubram a proporcionalidade entre crime e castigo ! Que os que nos governam despertem urgentemente para isso.

Luciano Perim Almeida
Iúna/ES

sábado, 11 de junho de 2011

A capacidade de se indignar (ou exportando a impunidade)

Foi com profunda vergonha e um pouco de  asco que reagi a notícia de que o STF acabou decidindo por não revogar a infame decisão do presidente Lula no final de 2010 de rasgar o acordo bilateral entre Brasil e Itália que previa a extradição do facínora Battisti. Na verdade vergonha dupla, pois em 2009 numa demonstração de fraqueza e total submissão ao Executivo, o STF deixou tal decisão na mãos de um presidente como Lula quando simplesmente poderia  bater o martelo nessa questão. Pediram bença a quem não devia, deu no que deu.

O presidente numa atitude covarde decidiu pela não extradição no último dia do seu governo, na véspera dos festejos de fim de ano, acreditando que com isso o impacto dessa decisão destrambelhada seria mitigado. Ledo engano. Por incrível que pareça até mesmo a imprensa, em grande parte cooptada pelo PT, cumpriu muito bem o seu papel, nesse caso específico, denunciando o ato ilegal do presidente.

Agora, mais uma vez o cavalo passou arreado , já que o governo italiano recorreu da sandice e apelou para o STF que teve mais uma oportunidade para corrigir as coisas. E o que fizeram? Numa votação medíocre, numa patriotada digna de um boteco de quinta categoria, se insurgiram contra a “potência estrangeira” italiana e incensaram mais uma vez o agora ex-presidente demagogo, lançando para escanteio a moral, a justiça e a legalidade, tomando as dores de um assassino julgado e condenado pela justiça italiana.

Se fosse uma trupe da UNE puxando o saco de Lula, seria até normal, mas eram ministros do STF, que se deixaram enrolar pelo engodo petista de que se tratava de um crime político quando na verdade todos sebemos que foram homicídios asquerosos julgados e condenados pela justiça italiana. São esses o direitos humanos que queremos defender no Brasil, a liberdade de se matar impunemente? Onde estão os direitos humanos das vítimas de Battisti?

Estou indignado. Depois de verificar tanta impunidade em nosso país que trata assassinos e homicidas com tantos indultos e regalias chegamos agora ao cúmulo de também exportar  sem-vergonhice e impunidade.

Não bastasse esse recado absurdo de injustiça que o Brasil manda a toda a comunidade internacional, me vêm ainda o senador Eduardo Suplicy e o presidente Lula em entrevistas semelhantes comentarem com toda a desfaçatez que não aceitam ou compreendem a reação do governo italiano. Não compreendem ou não querem compreender? Será que os laços ideológicos que os unem ao assassino italiano turvaram-lhes a razão?

O que mais lamento é que essa politização ideológica chegou com toda a sua força a mais alta corte desse país. Não bastasse o domínio quase que completo nos assentos das universidades e nas redações dos jornais e TVs, agora solapam com toda a força mais esse pilar da democracia brasileira.
  
Não faz muito tempo dois pugilistas cubanos pediram asilo político  no Brasil por ocasião dos jogos Pan-Americanos do Rio em 2007, mas  foram perseguidos, localizados e deportados para Cuba, onde sofreram todo o tipo de retaliação da ditadura Castro-comunista que aprisiona aquela ilha por mais de cinqüenta anos. Tal comparação é emblemática, nela vemos retratada o quanto é elástica e ideologizada a moral daqueles que atualmente nos governam.

Luciano Perim Almeida
Iúna-ES

terça-feira, 17 de maio de 2011

Esquizofrenias supremas (por Leonardo Bruno)

Leonardo Bruno | 15 Maio 2011
 A politização dos tribunais é apenas o início do totalitarismo em todo o resto, porque a justiça não se torna a vontade expressa e impessoal da lei e de legisladores eleitos, mas tão somente a vontade de facção política governante.
A insólita decisão do STF, estendendo os princípios da união estável aos homossexuais, à primeira vista, chocou-me menos pelo reconhecimento impróprio da homossexualidade do que pelos métodos francamente ilegais com que o Tribunal Excelso usou para validar seus argumentos. O dispositivo constitucional do art. 226, parágrafo 3º, da Constituição Federal, era bastante claro e restrito em caracterizar como "união estável" a junção de homem e mulher, devendo a lei facilitar o seu casamento. No entanto, por conta de uma pirueta argumentativa, o Supremo não interpretou a Carta Magna. Simplesmente agiu como se fosse uma nova "assembléia constituinte", usurpando os poderes do Congresso Nacional e criando um dispositivo adicional, alheio ao tema. É pior, quando a Suprema Corte apelou ao art. 5º da Constituição Federal para legitimar a união estável entre homossexuais, tornou sumariamente inconstitucional o art. 226 e parágrafos, que caracterizavam, especificamente, a união estável no direito de família. A partir daí, pode-se dizer que o Brasil, através de uma decisão judicial, está caminhando, lenta e gradualmente, para uma crise institucional.
Se a Constituição Brasileira parece não valer absolutamente nada para muitos órgãos institucionais da república, que dirá para uma instituição que existe justamente para protegê-la e resguardá-la? O STF, atualmente, é sinônimo de insegurança jurídica, de violação expressa da lei e da Constituição, justamente porque serve de palco para quizílias políticas, alheias ao interesse público. Na pior das hipóteses, tornou-se arma perfeita do governo federal e de grupos de interesses, que podem pressionar a Corte para uma decisão de caráter legislativo, quebrando a espinha dorsal da constitucionalidade e da harmonia entre os poderes. A politização dos tribunais é apenas o início do totalitarismo em todo o resto, porque a justiça não se torna a vontade expressa e impessoal da lei e de legisladores eleitos, mas tão somente a vontade de facção política governante.
Por outro lado, além de assembléia constituinte, o STF se tornou o legislador usurpador. Ao distorcer e criar um novo conceito de união estável na Constituição, invalidou sumariamente a legislação infraconstitucional, qual seja, a do Código Civil, que diz que é reconhecido a união estável entre homem e mulher. No final das contas, ninguém mais pode confiar na lei, na Carta Magna ou no poder do Congresso Nacional. O Supremo, através de critérios arbitrários, pode revogá-los ou adulterá-los. Basta que um lobby político tenha força para fazer valer as decisões entre os ministros. Na prática, temos um poder institucional na república que está acima da Constituição.

Se o Supremo conseguiu causar um estrago institucional com esse grave precedente formal, não menos grave foi o precedente moral e ético, com a destruição completa do direito de família. Neste ínterim, os juízes não se contentaram em rasgar ou transcrever a Constituição ao seu bel prazer. Eles quiseram, por decreto, modificar até o direito natural.
As argumentações dos ministros foram de uma assustadora indigência intelectual, uma prova completa da inépcia cultural que tomou conta dos tribunais. Na prática, o homem-massa, a criatura vulgar, tomou conta do STF. Gente que foi encharcada de discursos de ONGs, de DCEs acadêmicos, de projetos de engenharia social, de lugares-comuns da opinião pública. Pode-se dizer que o STF atual é o pior que já houve na história do Brasil. A fraqueza de seus postulados e a completa inoperância de seus argumentos é prova do quanto o país está em decadência.
O Ministro Joaquim Barbosa, aquele que diz ouvir a voz das ruas, parece ter ficado surdo ao povo quando aderiu à sua agendinha gay. Ele declarou, em seu voto favorável: "O reconhecimento de uniões homoafetivas encontra seu fundamento em todos os dispositivos constitucionais que tratam da dignidade humana". A pergunta que não quer calar é: que "dignidade humana" é esse que inferioriza a família e destrói suas referências morais e éticas? Luiz Fux, o ministro ordinário e demagogo, que prega a invasão do Estado em casas alheias para confiscar armas, tal como se entra no domicílio pra matar mosquitos da dengue, afirmou:"A homossexualidade caracteriza a humanidade de uma pessoa. Não é crime. Então por que o homossexual não pode constituir uma família? Por força de duas questões que são abominadas por nossa Constituição: a intolerância e o preconceito."
Ao que parece, o juiz não conhece nada de filosofia ou história. Como o comportamento homossexual pode ser a "humanidade" de uma pessoa, se fere algo que é inerente à sexualidade humana, que é a heterossexualidade? E desde quando uma prática, quando não-criminosa é necessariamente aceitável? Mas na lógica bizarra de Fux, a família homossexual não existe por causa do preconceito e da intolerância. Não passa nada por detrás dessa mentalidade vazia algo como procriação ou formação de prole.

O ministro Lewandovsky já inventou um conceito biônico de família. Ele afirmou que a junção de dois homens ou duas mulheres já se constitui uma família de fato.
"A união homoafetiva é uma realidade de elementar constatação empírica a qual está a exigir o devido enquadramento jurídico, visto que dela se vislumbram direitos e obrigações. A ninguém é dado ignorar que estão surgindo entre nós, em diversos países do mundo, ao lado da tradicional família patriarcal, outras formas de convivência familiar fundadas no afeto e nas quais se valorizam de forma particular a busca da felicidade, do respeito e do desenvolvimento pessoal de seus integrantes".
E completa:
"Entendo que uniões de pessoas do mesmo sexo, que se projetam no tempo e ostentam a marcada da publicidade, devem ser reconhecidas pelo Direito, pois dos fatos nasce o direito. Creio que se está diante de outra unidade familiar distinta das que caracterizam uniões estáveis heterossexuais" (...) "Penso que se está diante de um quarto gênero de unidade familiar não previsto na Carta Magna e sobretudo diante da necessidade de dar concreção diante dos princípios da dignidade humana".
É curioso que empiricamente a relação homossexual sempre existiu na história. No entanto, nenhuma alma inteligente jamais cogitou reconhecê-la como uma "entidade familiar", embora se perceba que o ministro não tenha a menor idéia do que a "entidade familiar" signifique. Nenhum "fato" da homossexualidade no mundo fez nascer o direito de família. Até porque da homossexualidade não se nasce ninguém.

Entretanto, é a mania totalitária dentro do Estado democrático em achar que toda prática social necessariamente deve ser legislada, como se os tribunais tivessem plenos poderes de resolver os problemas e insatisfações do mundo. Ou na pior das hipóteses, o Estado, em nome da legiferança, é capaz de propor uma legalidade fajuta, ao arrepio da realidade, distorcendo e corroendo as instituições tradicionais. Até então os gays jamais se preocupavam com essas questões e nunca nasceu dos homossexuais, o "direito" de constituir família. Porém, o movimento gay, que é produto de uma engenharia social, reivindica o que jamais pertenceu a sua esfera, ou seja, a de ser criadora da célula-mater da sociedade. Na verdade, a interpretação tão subjetivista, tão vaga e tão etérea do Sr. Ministro abriu portas para outros tipos de bizarrices elevadas como "entidade familiar". Basta que alguém se junte e aí teremos promíscuos, poligâmicos, zoófilos, incestuosos, todos exigindo direitos familiares.

Por outro lado, família patriarcal é diferente de família heterossexual. Uma coisa, substancialmente, não define a outra. Um homem e uma mulher se casam e têm filhos porque é a ordem natural das coisas, porque é assim que a humanidade se reproduz desde que existe. O mandamento do "ide e multiplicai-vos" da Bíblia não é mera questão religiosa. Porém, na opinião do ministro, isso é apenas convenção, mutável pelas circunstâncias utilitárias. O Estado, sob pressão de grupos organizados de gays e lésbicas, pode modificar, por decreto, uma tradição milenar, como se os juízes do Supremo encarnassem uma espécie distorcida de sacerdócio da seitazinha politicamente correta.
Surpreendentemente, o mais histriônico e o mais estúpido voto dentre esse vendaval de asneiras jurídicas proveio do Ministro Ayres Britto. Às vezes me perguntou se lendo essa decisão eu não estou no hospício! Ele começa:"Inexiste essa figura da subfamília, família de segunda classe ou família mais ou menos". "Diferentemente do casamento civil ou da união estável, a família não se define como simples instituto ou figura de direito com sentido meramente objetivo".

Traduzindo em termos práticos, tanto faz a junção do homem e da mulher ou um balaio de gatos, cachorros, dois homens, três mulheres, uma suruba de poligâmicos, uma criança, etc. Qualquer união, dentro da cabecinha do Ayres Britto, pode ser considerada "família". Basta que tal situação seja reconhecida legal ou judicialmente, porque está no âmago da
"subjetividade". Todavia, ele não desiste das especulações acacianas e solta a seguinte pérola: "O órgão sexual é um plus, um bônus, um regalo da natureza. Não é um ônus, um peso, um estorvo, menos ainda uma reprimenda dos deuses".
E acrescenta:"Não há nada mais privado aos indivíduos do que a prática de sua própria sexualidade. A liberdade para dispor de sua própria sexualidade insere-se no rol de liberdades do indivíduo, expressão que é de autonomia de vontade. Esse direito de explorar os potenciais da própria sexualidade tanto é exercitado no plano da intimidade quanto no da privacidade, pouco importando que o parceiro adulto seja do mesmo sexo ou não".
A falácia de seu argumento parte da seguinte questão: não se está discutindo a sexualidade humana, mas o direito de família e seus princípios éticos, morais e sexuais. Na opinião de Ayres Britto, possuir um pênis ou uma vagina é apenas um capricho arbitrário da natureza. O que conta é o mero desejo sexual, que determina, mais do que os papéis da mãe e do pai, a gênese do direito de família. Partindo da lógica do ministro, qualquer indivíduo munido de parafilia sexual pode exigir a educação das crianças ou formar "casal". Pelo jeito, isso também pode sensibilizar as aspirações do STF.

O mais assustador é que os magistrados se utilizaram de uma linguagem totalmente viciada para desconstruir a realidade e negá-la. A novilíngua politicamente correta, ao que parece, que turvou seus raciocínios. Percebe-se no conceito famigerado da chamada "união homoafetiva". Parte-se do pressuposto de que a formação familiar é produto de um afeto, não uma ação própria e ontológica de dois seres de sexos diferentes, dispostos à geração de filhos. Durante uma boa parte da história humana, a afetividade na família quase sempre era considerada supérflua. Não era o que a caracterizava e sim os laços sexuais e consanguíneos gerados dessa relação, além do arquétipo moral a ser seguido e transmitido. Se a família fosse medida pelas relações afetivas, qualquer caso sexual fortuito, promíscuo, poderia ser considerado "familiar".

Por outro lado, os ministros usaram e abusaram de fundamentos ilógicos a respeito da igualdade jurídica e da dignidade humana, para fazer valer seus conceitos (ou preconceitos). Das duas uma:
ou os ministros desconhecem ou agem de má fé no uso desses princípios. Na decisão do Supremo, heterossexualidade e homossexualidade se tornaram comportamentos iguais, confundindo a relação de direitos com a proporção entre as condutas. Todavia, igualdade não é nivelamento por baixo. O sofisma está bem claro na decisão judicial: se as pessoas têm direitos iguais, logo, isso torna a homossexualidade igual à heterossexualidade.
Na prática, o Supremo cometeu uma monstruosa desigualdade, ao rebaixar as hierarquias valorativas entre as condutas e as instituições. A homossexualidade é um comportamento que pode ser perfeitamente dispensável à espécie humana. A heterossexualidade é uma prática essencial da própria à espécie, cuja ausência é o seu completo desaparecimento na face da Terra.

O terceiro aspecto da falácia linguística é a chamada constituição de "gênero". É o método sofístico que o movimento gay criou para desmerecer a sexualidade, colocando-a no rol do mais completo relativismo. Em outras palavras, a sexualidade não tem um fim específico, que é a reprodução da espécie. É um processo arbitrário, identificado como "gênero", partindo do pressuposto dos desejos sexuais subjetivos. Neste caso, inventaram outra terminologia, "hetero-normatividade" e "homo-normatividade", como se a questão sexual fosse apenas uma norma imposta pela sociedade, que pode ser modificada ao bel prazer dos engenheiros sociais. Daí a loucura de glamurizar a homossexualidade, ao mesmo tempo em que se criam leis no intento de reprimir e prender quaisquer críticas aos gays. No final das contas, pela agenda do movimento gay, a "homo-normatividade" deve ser "norma"!

A consequência lógica da decisão do Supremo, além dos flagrantes ilegalidades constitucionais, é a lenta e gradual destruição da família e do patrimônio moral cristão nela incutido. De fato, a finalidade real mesma desta política é destruir qualquer tipo de patrimônio moral. Na incapacidade de modificar o direito de família por intermédio do Congresso Nacional, o movimento gay se utilizou do Supremo. E na interpretação relapsa feita pelo Tribunal Excelso, abriram-se portas para outros precedentes, igualmente perversos, que é a legalização do casamento gay e a adoção de crianças por duplas homossexuais. Ou pior, a reivindicação de grupos sexuais igualmente permissivos, exigindo estatuto familiar. Pois nas palavras do Supremo, a família é tão somente uma instituição criada subjetivamente, um produto de "gênero", de "normatividade" ou de "plus". Em outras palavras, as taras sexuais serão, a partir daí, modelos para a criação do universo familiar. Salve-se quem puder!



Fonte: midiasemmascara

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Vergonha no STF! Aprovaram o "Casamento Gay"!

O Supremo Tribunal Federal  acaba de reconhecer por unanimidade a união “homoafetiva”,  ou o popularmente  chamado “casamento gay”, dando a esse tipo de união os mesmos direitos da união entre homem e mulher, contrariando com isso, o bom senso, a natureza,  e a própria Constituição Federal que no artigo 226, parágrafo terceiro diz: “Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento.”

Vejam bem, o órgão responsável por resguardar e interpretar corretamente a Constituição Federal conseguiu corromper o texto que deveria proteger. Estamos no pior dos mundos.

Não consigo compreender como que homens que estudaram tanto, dedicaram uma vida inteira aos livros e ao direito, que foram em determinado momento de suas vidas escolhidos pelo seu “notável saber jurídico” para o órgão máximo do Poder Judiciário do país, não consigam simplesmente “ligar os pontos”, ou seja, exercer a lógica da maneira mais simples e elementar possível. Incrível!

Estou muito preocupado. Muito mesmo. Depois do que vimos hoje podemos colocar as barbas de molho. Tudo é possível para o STF. Paus poderão se tornar pedras de acordo com a conveniência ou a pressão dominante do momento. Deus meu , onde iremos parar ?

Esse igualitarismo absurdo que tende a nivelar o certo com o errado, o justo com o injusto, o bem com o mal está na raiz dessa infeliz decisão do STF.  Nessa "lógica" do nivelamento, não é "justo" que apenas um tipo de família, a tradicional, goze dos benefícios e da proteção do Estado, todas as relações precisam ser beneficiadas igualmente sob a pena de estarmos praticando uma discriminação (que palavra feia!). Estamos mais uma vez diante da praga do politicamente correto, essa estranha e moderna mania de querer agradar a todos (menos aos cristãos, é claro) sacrificando, sem dó, o bem e a verdade.

Ora, sabemos que existem discriminações justas e injustas. Exemplo óbvio de discriminação justa é o caso de pessoas portadoras de alguma doença sanguínea não poderem ser doadoras de sangue. A família tradicional constituída entre homem e mulher é a célula básica da sociedade, local ideal para a criação e o desenvolvimento dos filhos. Além disso merece todo o apoio e reconhecimento do Estado, porque sem ela, não estaria assegurada nem mesmo a perpetuação da espécie. Já a relação entre homossexuais, é um ato contra a natureza, estéril e não trás nenhum benefício à sociedade. Tal relação não precisa nem de apoio, nem de reconhecimento estatal. Logo não pode ter os mesmos direitos e privilégios da família tradicional que é um patrimônio de toda a humanidade.

Se os homossexuais querem deixar algum bem como herança para o parceiro, que o façam, manifestem esse desejo em vida e pronto. Se quiserem financiar um imóvel, me procurem lá na Caixa, não irei objetar, hoje qualquer pessoa pode compor renda com uma outra, independendo do tipo de relação que possuam. Para financiar um imóvel em comum, basta  que informem que irão morar juntos. Podem ser irmãos, amigos, casais e até pares homossexuais, não há nada que impeça isso. Há na verdade muita desinformação e falácia nessa discussão.

Agora, querer nivelar a família criada por Deus á união homo afetiva é uma bizarrice. Cristãos e pessoas de bom senso não podem se calar diante dessa verdadeira afronta à Criação e ao Criador. Reconhecer uma união como essa não é algo inócuo como muitos inocentemente defendem por aí. Muitos dizem: não faz mal a ninguém. Mentira, faz muito mal sim. Leis ajudam a formar costumes, qualquer um sabe disso, elas possuem um caráter pedagógico. Se a sodomia passa a ser amparada legalmente, como evitar que ela progrida cada vez mais na sociedade? Será que é isso que queremos para nossos filhos e netos?

Hoje é um dia de luto para todos os que lutam pela instituição familiar. Que Deus ilumine a mente das nossas autoridades para que reconheçam o grande mal que praticaram e se esforcem para corrigi-lo. Que Deus nos dê magistrados imbuídos de  uma verdadeira sabedoria que não se aprende nos livros, mas se adquire na busca implacável da verdade. Que possa chegar os tempos em que as leis humanas se conformem à reta razão, e mereçam então todo o respeito  e adesão da sociedade.

Finalmente é importante lembrar que leis e interpretações injustas não nos obrigam a nada. Como nos diz a Sagrada Escritura: “importa obedecer antes a Deus do que aos homens”. Diante do cenário que se aproxima, a desobediência civil por mais dolorosa que possa nos parecer será o único caminho a ser seguido por homens que não desejarem macular suas consciências com o atual progresso da iniqüidade.

Que Deus tenha misericórdia de nós! Que os Sagrados Corações de Jesus e Maria sejam sempre o nosso refúgio e a nossa fortaleza. Amém !

Luciano Perim Almeida
Iúna-ES

terça-feira, 22 de março de 2011

A atéia parede vazia (por: Jorge Ferraz)


Fonte: www.deuslovult.org

Os símbolos religiosos (nas repartições públicas inclusive) refletem a cultura de uma sociedade. E, queiram ou não queiram os ateus, não existe uma sociedade atéia natural. Nem nunca existiu, nem nunca é possível que exista, porque o elemento religioso é parte integrante da cultura humana.
O ateísmo é profundamente anti-natural, uma vez que o conhecimento de Deus pertence à natureza humana. Nas palavras de Santo Agostinho, “criastes-nos para Vós, Senhor, e o nosso coração vive inquieto enquanto não repousa em Vós”. Nas palavras de São Paulo, “as perfeições invisíveis de Deus, o seu sempiterno poder e divindade, se tornam visíveis à inteligência, por suas obras” (Rm 1, 20). E, nas palavras do Primeiro Concílio do Vaticano, a Igreja “crê e ensina que Deus, princípio e fim de todas as coisas, pode ser conhecido com certeza pela luz natural da razão humana, por meio das coisas criadas” (Vaticano I, Seção III, Cap. II).
É preciso um profundo ato de “fé” irracional para negar a existência de Deus e, deste modo, professar positivamente o ateísmo. Por isso, embora haja (e sempre tenha havido) ateus individuais, nunca foi possível haver uma civilização atéia. Aliás, “ateísmo” e “civilização” são termos contraditórios entre si, uma vez que uma civilização se constrói com base no reto conhecimento, e não na ignorância; sendo o ateísmo ignorância do Deus Verdadeiro, não pode subsistir enquanto elemento civilizatório. Vivemos (ainda) em tempos (relativamente) civilizados apesar do ateísmo, e jamais por causa dele.
Estranhamente, o ateísmo costuma padecer da mesma sanha proselitista cuja alegada presença, nas religiões, ele gosta de atacar. Por ser irracional, no entanto, o discurso ateu pretende impôr-se por meio da força e da agressão, e jamais pela razoabilidade dos argumentos. Exemplos não faltam. Basta olhar, p. ex., para o sr. Richard Dawkins: neste exemplo belíssimo de argumentação racional (seguido pelos estúpidos aplausos da plebe ignara), ou nesta (mais recente) fanfarronice estúpida do ano passado da qual até mesmo os ateus mais razoáveis devem se envergonhar. Como o ateísmo jamais terá poder de penetração real em todas as camadas da sociedade (ou sequer em uma parte considerável delas), resta-lhe a sanha doentia de fazer o maior estrago possível por meio da imposição, a toda a sociedade, das suas crenças absurdas.
Talvez um dos mais claros exemplos desta intolerância atéia seja a luta encarniçada, travada a ferro e a fogo, contra os símbolos religiosos nas repartições públicas daquilo que o ateu gosta de chamar de “estado laico”. Esquece-se, contudo, ou finge esquecer, que a laicidade se caracteriza precisamente pelo respeito a todos os credos, e não pela eliminação deles. Esquece-se, ou quer esquecer, que o ateísmo também pode, em certo sentido, ser encarado como uma religião – às avessas, mas ainda uma espécie de religião -, a qual não pode receber nenhum favorecimento estatal. Esquece-se, ou reza para esquecer (e para que as outras pessoas não percebam), que a parede vazia é também ela um símbolo de um credo: no caso de um anti-credo, do espaço que não pode ser ocupado por Deus, da crença que confina a religião à esfera privada, da intolerância que nega a Deus o direito à cidadania.
Ao contrário do que pretendem fazer acreditar os inimigos da religião, não há menos ideologia nas paredes vazias do que nos crucifixos pendurados. Em se tratando de algo tão inerente ao ser humano como o fenômeno religioso, não há neutralidade possível. A escolha necessariamente precisa ser entre a cultura tradicional de um povo e a irracional imposição dos descrentes. Ou o símbolo religioso, ou a parede atéia – e terceira opção não existe.

Deus nos tribunais europeus (por: Jorge Ferraz)

Reprodução autorizada do blog Deus lo Vult! (http://www.deuslovult.org/)
Sexta-feira passada (18 de março, véspera do dia de São José) saiu o resultado do caso Lautsi. Por 15 votos contra 2, o Tribunal Europeu aprovou os crucifixos nas escolas públicas italianas. A Sala de Imprensa da Santa Sé saudou a decisão: “A nova sentença do Tribunal Europeu é bem-vinda também porque contribui efetivamente para restabelecer a confiança no Tribunal Europeu dos Direitos Humanos por parte de muitos europeus, convictos e cientes do papel determinante dos valores cristãos em sua própria história, mas também na construção da unidade europeia e na sua cultura de direito e liberdade”.
Fico sem dúvidas feliz com a notícia, porque os direitos de Deus foram reconhecidos por um tribunal – e mais ainda por um tribunal europeu, da triste Europa que vem, a cada dia, esquecendo-se de suas raízes cristãs e caindo, como disse o Papa João Paulo II certa vez, em uma “apostasia silenciosa”. Mas fico também triste e apreensivo, porque chegou-se ao terrível ponto de Deus ser colocado no banco dos réus, e da instância inferior – a justiça humana – ser chamada para julgar a instância superior, o Deus Altíssimo.
O problema é de princípios. Os direitos de Deus não são passíveis de serem conferidos (ou, pior ainda, negados) por tribunais humanos, é lógico. Os direitos de Deus são para serem reconhecidos e exercidos. A partir do próprio momento em que alguém cogita a possibilidade de montar um tribunal humano para decidir se um crucifixo pode ou não ser exibido… a loucura já está plenamente instaurada, e a doença é já gravíssima. Claro que ficamos felizes com o veredito do tribunal europeu. Mas nos entristecemos por ter sido necessário que as coisas chegassem a este ponto.
Porque os direitos de Deus não podem depender dos caprichos dos tribunais humanos, mutáveis e inconstantes. Hoje, a justiça dos homens confere às escolas italianas o direito de ostentar crucifixos. Mas quem garante que amanhã isso continuará assim? Quem garante que, amanhã, não será um dos muitos inimigos de Deus a julgar a causa do Onipotente? E será que podemos simplesmente aceitar, sem mais, a mera possibilidade da iniqüidade assumir vestes de justiça?
Saudamos o bom senso do tribunal europeu, sem dúvidas! Mas negamos o princípio blasfemo de que Deus possa ser julgado pelos homens. Rejeitamos abertamente a pretensão absurda de que o menor tenha poderes sobre o Maior. E, enquanto o mundo enlouquece, nós fazemos questão de dizer, bem claro e bem alto, que Deus é Deus, fonte de toda autoridade, Juiz Supremo que a todos julga e que não é julgado por ninguém. Mesmo que, na insensatez moderna, pretendam levá-Lo a juízo. Nos Céus, o Altíssimo ri-Se deles.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Sobre o Hino da CF 2011

Iniciamos mais uma Quaresma e com ela aqui no Brasil mais uma Campanha da Fraternidade. Esse ano tratando de ecologia, proteção à Terra, meio ambiente, etc.

Tema atual e relevante, é verdade, mas não posso deixar de manifestar minha contrariedade com hino da CF desse ano. O cristão mais atento perceberá que algumas estrofes  e o refrão não são condizentes com a doutrina cristã. Serei conciso analisando as partes que julguei no mínimo “estranhas”.

1. Olha, meu povo, este planeta terra:
Das criaturas todas, a mais linda!
Eu a plasmei com todo amor materno,
Pra ser um berço de aconchego e vida. (Gn 1)

Logo no início do hino duas coisas que me chamaram mais a atenção:

“Das criaturas todas, a mais linda!” Essa frase é absurda. Deus ao criar o universo, pôs o homem como ápice de toda a criação. Prova dessa centralidade humana é a encarnação de Deus em Jesus Cristo, isso sem falar na narração cronológica e hierárquica do Gênesis. A importância da Terra se dá sobre tudo por isso, por ser o habitat do homem.

“Eu a plasmei com todo amor materno.” Deus se revela como Pai, não consigo entender então o “amor materno” da letra. É verdade que existem passagens na Escritura que comparam o amor de Deus ao da mãe, mas  daí a colocar na boca de Deus que Ele criou a terra com “amor materno” já é forçar demais a barra.

Nossa mãe terra, Senhor,
Geme de dor noite e dia.
Será de parto essa dor?
Ou simplesmente agonia?!
Vai depender só de nós!
Vai depender só de nós!

Ai, ai, ai.  Como assim? Por acaso Deus dorme? Será que Ele nos abandonou a nossa própria sorte. Esse refrão recorda uma heresia antiga, que já não me lembro nem o nome que dizia que Deus só agiu no momento da criação e que após isso a deixou seguir seu próprio curso sem mais nenhuma intervenção ou acompanhamento, quando na verdade, nós católicos sabemos que  Deus vela por sua obra o tempo todo e nada ocorre sem que Ele permita. Uma frase mais correta, poderia ser: depende também de nós, mas nunca só de nós.

2. A terra é mãe, é criatura viva;
Também respira, se alimenta e sofre.

É de respeito que ela mais precisa!
Sem teu cuidado ela agoniza e morre.

Já ouviram falar na hipótese de Gaia? Idéia absurda que atribui sentimentos ou consciência ao planeta, na prática é quase que uma divinização da Terra. É de doer que os maiores absurdos eco-radicais tenham encontrado espaço numa música que se pretende católica. 

 4. Olha as florestas: pulmão verde e forte!
Sente esse ar que te entreguei tão puro…
Agora, gases disseminam morte;
O aquecimento queima o teu futuro.

Vemos na última linha dessa estrofe uma clara referência ao fenômeno do Aquecimento Global. Evento este no mínimo duvidoso, já que a própria comunidade científica  se divide a esse respeito. Difícil falar de aquecimento global quando o hemisfério norte enfrenta o inverno mais rigoroso das últimas décadas. O autor aqui mostra o aquecimento global como uma realidade definitiva. Será? Tenho minhas reservas.

É por essas e outras que me silenciarei ao ouvir esse hino.

Em Cristo,

Luciano Perim Almeida.
Iúna/ES

quarta-feira, 9 de março de 2011

A missão da mulher

A princípio pode parecer estranho para um homem discorrer sobre a missão do sexo feminino, ainda mais no meu caso que não possuo nenhuma formação específica para tratar com profundidade desse assunto. No entanto, permito-me emitir opinião baseada nas minhas próprias observações e pesquisas informais.

Atualmente não é difícil perceber que a mulher conquistou espaço e direitos nem sequer imaginados por mulheres de outros tempos. Isso é incontestável, e a prova maior disso é que a mulher tem alcançado cada vez mais postos de liderança em muitos países, inclusive no nosso, onde o posto máximo é ocupado no momento por uma presidente mulher.

Junto com as conquistas das mulheres que são legítimas é justo fazer uma análise mais profunda dessa transformação pela qual passou e ainda está passando a sociedade contemporânea. A mulher não conquistou apenas um lugar ao sol foi muito mais do que isso, na verdade o que vem acontecendo é uma reinterpretação do ser mulher e da sua missão nas famílias e na sociedade. Uma revolução de proporções incríveis.

Deus criou homem e mulher com igual dignidade, nenhum deles é superior ao outro. Mas Deus também lhes deu papéis específicos, missões diferenciadas para cada um. Abrir mão dessa diferenciação natural, é trair o projeto de Deus que tem na família tradicional (homem, mulher e filhos) a base da sociedade.

A mulher quer trabalhar fora? Ótimo. Quer se realizar profissionalmente? Muito bom. Quer dar uma melhor condição econômica  a sua família? Legítimo. Difícil é realizar tudo isso sem que haja prejuízo na formação e educação dos filhos e na própria estrutura do casamento. É um desafio!

Muitos gostam de repetir que as mulheres de outras gerações eram “paus mandados”, que para elas tudo estava bom, aceitavam de tudo,  e por isso é que seus casamentos duravam. Talvez haja muito de verdade nisso, mas será que as mulheres de hoje, tão independentes, são mais felizes do que aquelas de outrora que com muita luta e sofrimento  conservavam seus casamentos? Vejam,  isso é apenas uma comparação grosseira. Nem toda mulher  de hoje é independente e nem toda mulher de antes era passiva. O matrimônio se tornou mais instável e muito disso se deve a esse novo papel da mulher na sociedade.  A independência financeira feminina gerou também em muitos casos uma auto-suficiência perigosa, orgulhosa, que está na base da ruína de muitos relacionamentos.

Outra consequência grave, digo gravíssima, foi a “terceirização” da educação dos filhos. Muitas avós tem sido verdadeiras mães dos seus netos, menos mal que seja assim, mas nem por isso deixa de ser  um fenômeno preocupante. Isso sem falar nas mães que se privam o dia inteiro da companhia dos seus filhos para mandá-los para creches, muitas vezes para ganhar um salário ínfimo. Será que vale a pena? É a pergunta que muita mulheres deveriam se fazer mas não fazem, apenas agem como que no automático. Não tenho dúvidas em afirmar que se muitas mães pudessem hoje  ficar em casa colaborando na formação dos seus filhos estariam contribuindo de maneira muito mais positiva para a formação de uma sociedade mais humana e menos esquizofrênica que atual.

Temos ainda outra conseqüência dessa emancipação feminina  que tem sido divulgada como algo positivo, mas que na verdade não é : a brusca queda na taxa de natalidade da população brasileira. Há cinqüenta  anos tínhamos uma média de 6,0 filhos por mulher, hoje estamos abaixo da taxa de reposição que é de 2,0. Isso indica uma futura estagnação da população brasileira,  e talvez daqui a poucas décadas poderia até se estar falando de encolhimento populacional. Conseqüência direta desse possível inverno demográfico será um déficit cada vez maior na previdência e a queda na oferta de mão de obra, o que implicaria entre outras coisas numa desaceleração econômica, fazendo com que o país dependa de mão de obra estrangeira para poder crescer.  

Quem viver talvez tenha que enfrentar tal quadro se algo não for feito para reverter essa situação. Essa reversão tem que partir não do Estado e das leis, mas primeiramente e principalmente da mulher que está  querendo cada vez mais ter menos filhos. Muitas vezes estes são vistos como um estorvo, alguém que pode amarrar o seu desempenho profissional ou limitar suas ambições. É duro perceber essa inversão de valores: filhos que sempre foram bênçãos em todas as culturas e épocas, se tornaram agora fardos.  Mulheres jovens com um ou dois filhos já falando em laqueadura como se essa mutilação fosse a coisa mais natural do mundo. Triste.

Estamos enfrentando o que poderia classificar como uma fase de “acomodação histórica”, ou melhor, uma fase de deslumbramento da mulher moderna que cônscia de seus direitos se “lambuzou” (para lembrar o antigo ditado que diz que quem não come mel...). É preciso achar urgentemente o ponto de equilíbrio, parte considerável do futuro da humanidade passará pela escolha das mulheres dessa geração e das que virão. Precisamos de um mundo mais terno, mais humano, e por que não dizer em muitos aspectos também mais feminino.  

Não é o igualitarismo mutilador de gênese marxista que irá tornar a mulher mais plena e feliz, o caminho para que isso aconteça na verdade está na  redescoberta da sua única e insubstituível missão na família e na sociedade.

Luciano Perim Almeida
Iúna-ES

terça-feira, 8 de março de 2011

Disposições para receber a Santa Comunhão

Antes de mais nada é preciso ter bem claro em nossas mentes e corações que nenhum de nós é merecedor de receber tamanha graça, ou seja,  receber o próprio Deus que se oferece a nós no Santíssimo Sacramento.  É um dom imensurável que só nos é possível pela misericórdia infinita do Senhor.

Apenas esse amor de Deus é capaz de fazer com que a sua infinita majestade possa se unir a nossa insignificância e miséria através do mistério eucarístico.

No entanto, apesar dessa nossa condição de pecadores, existem disposições que podemos, ou melhor, devemos seguir para nos aproximarmos mais dignamente da Sagrada Eucaristia.

A primeira e mais importante delas é estar em estado de graça. O pecado mortal nos priva desse estado eliminando em nós a graça divina, rompendo em nós a amizade com Deus. Objetivamente o pecado mortal é um pecado contra  a lei divina (os Dez Mandamentos) cometido de maneira livre e consciente (não me aprofundarei nos atenuantes). Infelizmente é muito mais comum de se cometer do que poderíamos supor num primeiro momento. A conseqüência última do pecado mortal, ou melhor, de quem permanece  e morre nessa condição é o inferno.  Antes de nos aproximarmos da Sagrada Comunhão devemos fazer um sério exame de consciência, caso identifiquemos alguma situação de pecado mortal, devemos urgentemente nos arrependermos desse mal e buscarmos a reconciliação com Deus através do sacramento da confissão para só depois nos aproximarmos da Sagrada Eucaristia.

O Jejum eucarístico é outra condição:  “Quem vai receber a Eucaristia deve abster-se de alimentos e bebidas, exceto água e remédio, ao menos uma hora antes da comunhão (cf. CDC cân. 919, §1).” Infelizmente, não são poucos os que descumprem esse preceito, muitos por ignorância. Havendo casos extremos de pessoas que chegam a mascar chicletes minutos antes da comunhão, o que é um absurdo.

A santificação do domingo é um dever do cristão. Em nosso tempo perdemos muito a noção de deveres para com o próximo e principalmente para com Deus. É comum pessoas irem a Santa Missa apenas quando estão com vontade ou dispostas, esquecendo-se muitas vezes que a participação da Santa Missa é uma obrigação para todo católico. Faltar a uma Missa sem motivo justo, é falta grave  e a princípio nos impede de comungar numa próxima Missa, a não ser que arrependidos, nos reconciliemos com Deus pelo sacramento da confissão, ou mesmo por uma contrição perfeita. “A Eucaristia dominical fundamenta e sanciona toda a prática cristã. É por isso que os fiéis têm obrigação de participar na Eucaristia nos dias de preceito, a menos que estejam justificados, por motivo sério (por exemplo, doença, obrigação de cuidar de crianças de peito) ou dispensados pelo seu pastor (104). Os que deliberadamente faltam a esta obrigação cometem um pecado grave.” (CIC 2181)

O preceito dominical é cumprido quando assistimos a Missa inteira, e não apenas partes da Missa. Chegar cedo é fundamental.

Importante saber:

1) A celebração da Palavra não deve ser equiparada à Santa Missa. Sempre que possível o católico deve participar da Santa Missa em sua paróquia, sendo a participação na Celebração da Palavra uma alternativa no caso de impossibilidade de se ir á Missa. «Se for impossível a participação na celebração eucarística por falta de ministro sagrado ou por outra causa grave, recomenda-se muito que os fiéis tomem parte na liturgia da Palavra, se a houver na igreja paroquial ou noutro lugar sagrado, celebrada segundo as prescrições do bispo diocesano, ou consagrem um tempo conveniente à oração pessoal ou em família ou em grupos de famílias, conforme a oportunidade» (105). (CIC 2183)

2) A Sagrada Comunhão pode ser distribuída tanto na mão como também  na boca do fiel, sendo que a comunhão na boca é a forma mais tradicional e também a mais aconselhável por praticamente eliminar os riscos de profanações. No caso  da comunhão ser distribuída em duas espécies (pão e vinho), obrigatoriamente o ministro deve levar a Comunhão à boca do fiel. Não é permitido ao fiel fazer ele mesmo a intinção do Corpo do Senhor no Sangue do Senhor. Instrução Redemptionis Sacramentum: “104 .Não se permita ao comungante molhar por si mesmo a hóstia no cálice, nem receber na mão a hóstia molhada...”

3) O fiel pode comungar em pé ou de joelhos se preferir.

Forte abraço.
Luciano Perim Almeida

Minhas "meninas"


Essa é a minha família que tanto amo.
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segunda-feira, 7 de março de 2011

Carnaval de Antigamente

Mais um  ano se iniciou, e com ele os festejos de Carnaval.  Dentre as muitas possíveis origens do Carnaval, aquela que mais me chama a atenção é uma que faz vinculação desta festa popular  ao tempo litúrgico da Quaresma, ou seja,  uma despedida alegre do tempo comum, em vista do tempo duro de penitência que se inicia na quarta-feira de cinzas. Nada mais humano do que celebrar, festejar e se divertir,  não há nada de mal nisso, desde que seja feito com equilíbrio e respeito a si mesmo  e aos outros.

Acontece que atualmente são poucas as pessoas que sabem brincar o carnaval . Há muito abuso, promiscuidade, bebedeiras, e barulho em excesso, o que faz com que o carnaval se torne para muitos, dias de tristeza e pecado em vez de alegria. Lembro com saudades das matinês em que minha mãe me levava no Iate Clube em Marataízes/ES. Era muito bom, muito gostoso poder correr no meio de serpentinas e confetes, fantasiado ou simplesmente com um colar de havaiano no pescoço ao som das marchinhas.  

Vi com dor os anos 90 serem tomados por uma péssima música baiana que ao mesmo tempo que popularizou o carnaval, o vulgarizou ao extremo. Ainda que se tente hoje resgatar o carnaval de antigamente, e alguns até o consigam com algum sucesso, é perceptível a “herança maldita” recebida pela atual geração de jovens, que já associa carnaval à barulheira dos carros de som nas ruas, bebedeira sem limite e uso desenfreado da sexualidade.

Há quem pergunte: Mas será possível pular carnaval de forma digna nos tempos atuais? Digo que sim. Se você é um daqueles que não escolheu o silêncio das montanhas, nem o doce refúgio do seu lar ou dos retiros espirituais, será preciso uma boa dose de planejamento e paciência para achar: local, horário, repertório e companhia adequados para um carnaval saudável. Boa sorte e bom carnaval!

Ah, antes que me esqueça: Uma santa quaresma!


Luciano Perim Almeida
Iúna-ES

Olá, seja bem vindo ao meu blog !

Olá meus amigos!  Estou estreiando meu blog, espero partilhar um pouco de mim, do que penso e acredito com vocês. Espero também poder contribuir e receber contribuições numa troca produtiva de informações, além de fortalecer e construir novas amizades.

Grande abraço a todos.

Luciano Perim Almeida
Iúna/ES