quinta-feira, 17 de março de 2011

Sobre o Hino da CF 2011

Iniciamos mais uma Quaresma e com ela aqui no Brasil mais uma Campanha da Fraternidade. Esse ano tratando de ecologia, proteção à Terra, meio ambiente, etc.

Tema atual e relevante, é verdade, mas não posso deixar de manifestar minha contrariedade com hino da CF desse ano. O cristão mais atento perceberá que algumas estrofes  e o refrão não são condizentes com a doutrina cristã. Serei conciso analisando as partes que julguei no mínimo “estranhas”.

1. Olha, meu povo, este planeta terra:
Das criaturas todas, a mais linda!
Eu a plasmei com todo amor materno,
Pra ser um berço de aconchego e vida. (Gn 1)

Logo no início do hino duas coisas que me chamaram mais a atenção:

“Das criaturas todas, a mais linda!” Essa frase é absurda. Deus ao criar o universo, pôs o homem como ápice de toda a criação. Prova dessa centralidade humana é a encarnação de Deus em Jesus Cristo, isso sem falar na narração cronológica e hierárquica do Gênesis. A importância da Terra se dá sobre tudo por isso, por ser o habitat do homem.

“Eu a plasmei com todo amor materno.” Deus se revela como Pai, não consigo entender então o “amor materno” da letra. É verdade que existem passagens na Escritura que comparam o amor de Deus ao da mãe, mas  daí a colocar na boca de Deus que Ele criou a terra com “amor materno” já é forçar demais a barra.

Nossa mãe terra, Senhor,
Geme de dor noite e dia.
Será de parto essa dor?
Ou simplesmente agonia?!
Vai depender só de nós!
Vai depender só de nós!

Ai, ai, ai.  Como assim? Por acaso Deus dorme? Será que Ele nos abandonou a nossa própria sorte. Esse refrão recorda uma heresia antiga, que já não me lembro nem o nome que dizia que Deus só agiu no momento da criação e que após isso a deixou seguir seu próprio curso sem mais nenhuma intervenção ou acompanhamento, quando na verdade, nós católicos sabemos que  Deus vela por sua obra o tempo todo e nada ocorre sem que Ele permita. Uma frase mais correta, poderia ser: depende também de nós, mas nunca só de nós.

2. A terra é mãe, é criatura viva;
Também respira, se alimenta e sofre.

É de respeito que ela mais precisa!
Sem teu cuidado ela agoniza e morre.

Já ouviram falar na hipótese de Gaia? Idéia absurda que atribui sentimentos ou consciência ao planeta, na prática é quase que uma divinização da Terra. É de doer que os maiores absurdos eco-radicais tenham encontrado espaço numa música que se pretende católica. 

 4. Olha as florestas: pulmão verde e forte!
Sente esse ar que te entreguei tão puro…
Agora, gases disseminam morte;
O aquecimento queima o teu futuro.

Vemos na última linha dessa estrofe uma clara referência ao fenômeno do Aquecimento Global. Evento este no mínimo duvidoso, já que a própria comunidade científica  se divide a esse respeito. Difícil falar de aquecimento global quando o hemisfério norte enfrenta o inverno mais rigoroso das últimas décadas. O autor aqui mostra o aquecimento global como uma realidade definitiva. Será? Tenho minhas reservas.

É por essas e outras que me silenciarei ao ouvir esse hino.

Em Cristo,

Luciano Perim Almeida.
Iúna/ES

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