sábado, 11 de junho de 2011

A capacidade de se indignar (ou exportando a impunidade)

Foi com profunda vergonha e um pouco de  asco que reagi a notícia de que o STF acabou decidindo por não revogar a infame decisão do presidente Lula no final de 2010 de rasgar o acordo bilateral entre Brasil e Itália que previa a extradição do facínora Battisti. Na verdade vergonha dupla, pois em 2009 numa demonstração de fraqueza e total submissão ao Executivo, o STF deixou tal decisão na mãos de um presidente como Lula quando simplesmente poderia  bater o martelo nessa questão. Pediram bença a quem não devia, deu no que deu.

O presidente numa atitude covarde decidiu pela não extradição no último dia do seu governo, na véspera dos festejos de fim de ano, acreditando que com isso o impacto dessa decisão destrambelhada seria mitigado. Ledo engano. Por incrível que pareça até mesmo a imprensa, em grande parte cooptada pelo PT, cumpriu muito bem o seu papel, nesse caso específico, denunciando o ato ilegal do presidente.

Agora, mais uma vez o cavalo passou arreado , já que o governo italiano recorreu da sandice e apelou para o STF que teve mais uma oportunidade para corrigir as coisas. E o que fizeram? Numa votação medíocre, numa patriotada digna de um boteco de quinta categoria, se insurgiram contra a “potência estrangeira” italiana e incensaram mais uma vez o agora ex-presidente demagogo, lançando para escanteio a moral, a justiça e a legalidade, tomando as dores de um assassino julgado e condenado pela justiça italiana.

Se fosse uma trupe da UNE puxando o saco de Lula, seria até normal, mas eram ministros do STF, que se deixaram enrolar pelo engodo petista de que se tratava de um crime político quando na verdade todos sebemos que foram homicídios asquerosos julgados e condenados pela justiça italiana. São esses o direitos humanos que queremos defender no Brasil, a liberdade de se matar impunemente? Onde estão os direitos humanos das vítimas de Battisti?

Estou indignado. Depois de verificar tanta impunidade em nosso país que trata assassinos e homicidas com tantos indultos e regalias chegamos agora ao cúmulo de também exportar  sem-vergonhice e impunidade.

Não bastasse esse recado absurdo de injustiça que o Brasil manda a toda a comunidade internacional, me vêm ainda o senador Eduardo Suplicy e o presidente Lula em entrevistas semelhantes comentarem com toda a desfaçatez que não aceitam ou compreendem a reação do governo italiano. Não compreendem ou não querem compreender? Será que os laços ideológicos que os unem ao assassino italiano turvaram-lhes a razão?

O que mais lamento é que essa politização ideológica chegou com toda a sua força a mais alta corte desse país. Não bastasse o domínio quase que completo nos assentos das universidades e nas redações dos jornais e TVs, agora solapam com toda a força mais esse pilar da democracia brasileira.
  
Não faz muito tempo dois pugilistas cubanos pediram asilo político  no Brasil por ocasião dos jogos Pan-Americanos do Rio em 2007, mas  foram perseguidos, localizados e deportados para Cuba, onde sofreram todo o tipo de retaliação da ditadura Castro-comunista que aprisiona aquela ilha por mais de cinqüenta anos. Tal comparação é emblemática, nela vemos retratada o quanto é elástica e ideologizada a moral daqueles que atualmente nos governam.

Luciano Perim Almeida
Iúna-ES

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