sábado, 21 de julho de 2012

Católicos de verdade


Acabei de ver mais um vídeo do Padre Paulo Ricardo. Padre Paulo Ricardo é um corajoso sacerdote de Cuiabá-MT, muito inteligente e ungido. É também o reitor do seminário local. Após passar por um grande susto durante uma turbulência num avião, ele mudou radicalmente a sua forma de pensar e agir, e de acordo com o seu próprio testemunho em vídeo, deixou de lado suas ambições pessoais e passou a viver como se cada dia de vida fosse o seu último. 
Padre Paulo Ricardo não deixa nada pra depois e nem teme ser mal interpretado. Diz o que é preciso dizer, e pronto. Não se preocupa se será perseguido por colegas de sacerdócio (que a pouco tempo o atraiçoaram com uma carta infame), nem se acaba por desagradar algum cacique da política nacional. Padre Paulo Ricardo ama a Verdade e por ela expõe cotidianamente seu pescoço. Um verdadeiro sacerdote do Deus Altíssimo. Anuncia Jesus Cristo de maneira plena, integral e não versões adocicadas do Cristianismo, por isso mesmo ele conquistou o Brasil com suas pregações. É um novo João Batista enviado pela Providência para denunciar as mazelas do nosso tempo.
Infelizmente, Padre Paulo Ricardo é a exceção das exceções no Catolicismo deste país. Sua coragem  profética contrasta com a pasmaceira que infelizmente se instaurou pela Igreja no Brasil.
O silêncio atual de tantos pastores diante das mais diversas ameaças à vida, à família ou mesmo à liberdade religiosa chega a ser constrangedor. Quantas vezes você teve a oportunidade de ouvir o seu pároco falar durante a homilia que o governo do PT está prestes a implantar uma assistência pré-aborto no SUS? Ou que existe um Plano Nacional dos Direitos Humanos que quer regulamentar a profissão de prostituta? Ou que o governo deseja retirar os crucifixos da repartição pública, ou ainda, que querem doutrinar nossas crianças para que aceitem o homossexualismo como algo normal? A faca já está no pescoço e continuamos a dormir em berço esplêndido porque quem deveria gritar se calou.
Travamos uma luta para a qual não nos preparamos. Enquanto parte não desprezível do clero das últimas décadas elegeu o capitalismo, e não apenas as suas mazelas, como o inimigo a ser vencido, concentrando nessa estéril batalha os seus maiores esforços, inimigos muito mais poderosos e ardilosos cresceram a sua volta.
Desses novos inimigos o marxismo cultural é sem dúvida um dos mais perigosos. Depois do fracasso do comunismo em todas as frentes, a esquerda se voltou para uma forma mais light de socialismo, baseada no pensamento de Antonio Gramsci, um filósofo e cientista político italiano que pregava uma revolução socialista baseada não na força, mas na cultura. Tal revolução buscava ocupar gradualmente os espaços na sociedade através das universidades, meios de comunicação, escolas, literatura, arte e principalmente política/governo afim de se produzir uma nova cultura dominante marxista e anticristã. O aumento do domínio do governo/partido sobre a vida das pessoas, o feminismo exacerbado, a defesa do aborto e de outras deformações morais, e as maiores libertinagens são desdobramentos do pensamento de Gramsci, conhecido hoje como Gramscismo.
Paralelo a tudo isso disseminou-se principalmente na América Latina, uma teologia da libertação herética, eivada de marxismo que causou tantos danos à Igreja que até hoje é possível sentir as consequências da sua nefasta influência. Essa teologia que impregnou e ainda influencia nossos seminários e paróquias, tem em Leonardo Boff e Frei Betto  seus principais expoentes no Brasil.
Temos então o seguinte quadro: marxismo cultural corrompendo a sociedade de um lado e teologia da libertação paralisando parte da Igreja do outro. Alguém já disse certa vez: o peixe não consegue ver a água, ora, se seminaristas estavam sendo intoxicados de marxismo em seminários católicos (ainda que sem saber!), como esperar que agora como sacerdotes pudessem perceber no próprio marxismo cultural um inimigo a ser enfrentado? Não viram e muitos continuam sem ver até hoje. Explica-se aí o silêncio e falta de reação de parte considerável do nosso clero.
A catequese cristã foi muito descurada nas últimas décadas. Eram outros tempos com outras prioridades, diziam alguns, era preciso então, envidar esforços para fomentar sindicatos, partidos políticos, etc., a luta contra a ditadura militar era o mote do momento, e era preciso formar lideranças, etc. O legado dessa geração muito politizada e pouco catequizada é a atual geração onde o nível de ignorância religiosa do católico é assustador. 

Povo mal formado é povo manipulado, incapaz de se indignar e reagir diante das situações mais absurdas como as quais tem que lidar cotidianamente. Consequência desse atual catolicismo café com leite é que apesar da maioria do povo brasileiro ainda ser católico (será mesmo!?), sua voz hoje se faz menos ouvida do a das minorias anticristãs articuladas que temos por aí.
São muitos os casos que poderia citar que provariam essa pouca relevância atual da opinião católica em nosso país, mas me deterei apenas no recente caso do julgamento do STF sobre a liberação do aborto dos anencéfalos, por considerá-lo emblemático. O que mais me chamou a atenção nesse caso não foi a aprovação da infâmia, que já era esperada dada a sofrível composição do atual STF (oito dos onze ministros foram indicados pelo PT), mas sim a pouca mobilização nacional dos nossos pastores e dos fiéis em relação a um tema tão relevante.
Caso nossa nação fosse profundamente católica, botaríamos sem dificuldades um milhão de pessoas nas ruas de Brasília para fazer vigília e protestos. A vigília ao menos foi realizada, graças a Deus e aos esforços de alguns como Dom Berzonguini (o Leão de Guarulhos) falecido a pouco. Mas quantos sacerdotes mobilizaram suas paróquias para a oração? Era a hora de se unir, de pensar nos mais indefesos e na defesa dos valores mais caros à humanidade, mas infelizmente muitos preferiram se omitir mantendo simplesmente a programação normal das suas paróquias e comunidades.
Desde que o modelo das CEBs se difundiram por nossas dioceses, a comunidade local  assumiu uma precedência tal na vida dos fiéis que o senso de universalidade da nossa Fé que sempre foi inerente ao ser católico se diluiu. Como exemplo disso, cito o caso de fiéis que moram a 250 , 300 m de uma Igreja onde está sendo celebrada a Santa Missa, e que preferem ir a uma Celebração da Palavra na sua comunidade simplesmente por ser mais perto. Ora, se até a presença de um católico na Santa Missa aos domingos, que sempre foi um marco da Fé Católica pôde ser relativizada, o que mais não seria?
Diante de sinais como a perda em massa de fiéis (que não é a questão mais importante), e principalmente a pouca fidelidade à Igreja daqueles que se dizem católicos (isso sim alarmante), é preciso refletir seriamente sobre o que nos fez chegar a esse estágio em vez de simplesmente continuarmos a ignorá-los.
Cada católico, cada batizado trás consigo uma força, uma Graça impressionantes. É o próprio Deus que habita em nós pelo batismo e nos fez profetas, reis e sacerdotes. Urge que tomemos consciência daquilo que realmente somos, e a que Corpo pertencemos, para que com Cristo, Maria e Pedro possamos produzir os frutos que o Senhor espera de nós. Precisamos urgentemente de mais formações de qualidade, restauração da catequese, missas bem celebradas, mais obediência, mais unidade, mais fidelidade, em suma, mais docilidade a ação do Santo Espírito de Deus, pois só assim teremos condições de dar um testemunho eficaz e eloquente capaz de salgar e iluminar toda a sociedade, mas se em vez disso continuarmos a desprezar o nosso próprio patrimônio espiritual, como então convencer àqueles que estão do lado de fora  a entrar na Barca? 
Luciano Perim Almeida
Iúna-ES

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