sábado, 31 de agosto de 2013

Eduardo Sabóia e o primado da consciência

Foi com um misto de alegria, surpresa e orgulho que soube da “aventura” do jovem diplomata brasileiro Eduardo Sabóia e seu protegido o senador boliviano Roger Pinto Molina.


Ver este homem se mover pelos sentimentos mais nobres de solidariedade, colocando em risco a própria vida e carreira para salvar alguém que havia sido sumariamente desprezado por dois governos irresponsáveis e omissos, serviu para renovar uma vez mais minha fé no ser humano.
Precisava disso. Nesses tempos onde reinam  a hipocrisia, a covardia e a mediocridade, Eduardo Sabóia nos brindou com um ato de imensa coragem, que fez sacudir os alicerces dessa República de Faz de Conta que se tornou o Brasil.
São anos e mais anos em que a diplomacia brasileira vem acumulando vergonhas e fracassos. Alinhamento com ditaduras latinas e africanas, rendição diante da expropriação do patrimônio de nossas estatais, conchavos com Zelaya, Chavez, Evo, Lugo e irmãos Castro... chegamos ao fundo do poço com o caso Cesare Battisti e ainda continuamos a cavar!
E agora aparece esse rapaz...com uma voz serena, aparência frágil, mas que com uma alma nobre, católica, bem formada, conseguiu ouvir a voz da própria consciência, que é onde Deus nos fala. Eduardo não se acomodou num servilismo burocrático, resistiu á obediência inerme e imoral que nos faz menos homens. Simplesmente fez o que era preciso diante de uma vida que se esvaía, ainda que com isso tivesse que desagradar seus superiores e a dois governos cínicos. Seguiu fielmente a orientação da Sagrada Escritura que nos diz: “importa obedecer antes a Deus do que aos homens.” (Atos 5,29.)
Ah... como seria saudável que  tivéssemos milhares, talvez milhões de “Eduardos” nesse país! Homens tomados de uma santa rebeldia, capazes de enfrentar o mal ainda que com consequências sérias para suas vidas e carreiras... homens capazes de abraçar suas cruzes, salgando essa Terra de Santa Cruz com o seu testemunho e silencioso martírio.
Que bom seria que médicos fossem menos corporativistas e mais preocupados com o bem comum. Que professores não passassem alunos de ano só para fazer número e atender metas estipuladas pela direção. Que bancários não fizessem venda casada, que padres fossem mais fiéis ao seu ministério...
Eduardo, saiba que o Brasil de verdade, o Brasil honrado está com você.  Somos devedores do seu exemplo que nos despertou e inspirou. Conte com nossas orações e lembre-se sempre do que o Senhor nos disse: “Bem-aventurados sereis quando vos caluniarem, quando vos perseguirem e disserem falsamente todo o mal contra vós por causa de mim.  Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus, pois assim perseguiram os profetas que vieram antes de vós.” (Mateus 5,11-12)
Obrigado Eduardo Sabóia. Que Deus te recompense.
Luciano Perim Almeida
Vitória/ES

domingo, 30 de junho de 2013

Sobre as manifestações no Brasil

Desde as primeiras manifestações realizadas em São Paulo contra o aumento das tarifas públicas de transporte, eu já percebia algo de muito estranho no ar. Cada dia que se passava e o movimento engrossava, as minhas impressões iniciais, longe de se dissiparem se confirmavam cada vez mais e mais.

Em nenhum momento senti a alegria ingênua que está tomando o coração de tantos que ao estufar os pulmões têm gritado que o “gigante acordou”, na verdade tenho ficado apreensivo com tanta quebradeira e sem saber muito bem onde tudo isso irá parar. Abaixo exponho as razões do meu ceticismo com essas manifestações.

O Movimento Passe Livre catalisador das manifestações em SP, assim como a UNE e muitas outras ONGs financiadas com o dinheiro público são totalmente aliados ao PT, sendo o MPL radicalmente de esquerda. O protesto contra o reajuste de R$ 0,20 nas tarifas de transporte urbano foi apenas um pretexto para se alcançar o verdadeiro fim que seria o desgaste perante a opinião pública da Polícia do estado de São Paulo e consequentemente do seu governador que é do PSDB. Jogo eleitoreiro para desalojar o PSDB do estado mais rico da federação em 2014.

Essa gente pensa longe. É lógico que sabiam que diante de tanta quebradeira, violência e vandalismo seria possível prever uma reação da polícia, que por vezes seria truculenta. E que tal reação poderia ser explorada ao máximo pela mídia e pelo próprio PT. Diante de tamanha pressão, não demorou  para que o Governador  de São Paulo capitulasse, cedendo terreno aos anarquistas. Alckimin amarrou a mão da polícia e deu salvo conduto aos manifestantes, além de um péssimo exemplo ao resto do país.

A imensa propaganda midiática que exaltou o “civismo” dos paulistanos, estimulou a muitos outros, Brasil a fora, a demonstrarem também a sua insatisfação pelas ruas. Ainda que essas manifestações fossem muito diferentes daquelas de São Paulo, contando com a participação de uma massa mais apartidária e com reivindicações mais difusas não se pode negar que por trás delas havia um núcleo organizador ligado a esquerda radical.

Infelizmente a resposta do Governo Dilma aos pedidos das massas como as melhorias no transporte urbano, melhor saúde e mais segurança foram as esdrúxulas propostas de Constituinte específica e Reforma Política além do jogo de cena com as ONGs e movimentos chapas-brancas recebidos com honras e fotos no Planalto. Isso tudo sem falar no absurdo plebiscito de meio bilhão de reais.

Já em 2007 o PT defendia Reforma Política e Constituinte específica para esse fim, não que essas pautas fossem a época o melhor para o Brasil e o seu povo, nada disso. Tais manobras, na verdade, servem principalmente para consolidar ainda mais o poder petista. Propostas historicamente defendidas pelos petralhas como financiamento público de campanha e lista fechada de candidatos são monstrengos que precisam ser rechaçadas pelo povo brasileiro.

O fato é que Brasil, infelizmente, caminha a passos largos para o socialismo e tais propostas emanadas do Executivo só servem para confirmar isso .  Um Estado cada vez maior, mais ineficiente, mais interventor e paternalista que está matando  a alma do brasileiro. Triste.

Antes de endossar ou participar das manifestações que se apresentam por aí a torto e a direito, é preciso antes pensar se não estamos sendo usados como massa de manobra para interesses de grupos ou pessoas que em nada se coadunam com as justas esperanças que trazemos em nossos corações e mentes. Até agora, viu-se que tais protestos tem se mostrado concretamente como um tiro no pé, não obstante os incessantes auto-elogios e a grande propaganda midiática.

É por isso que pelo menos por enquanto declinarei do insistente convite para eu ir para rua. 

Luciano Perim Almeida

terça-feira, 26 de março de 2013

O gueto da intolerância (por: José Maria e Silva)


Excelente artigo de José Maria e Silva. Não deixe de ler.
Fonte: Site Mídia Sem Máscara (http://www.midiasemmascara.org)

mfcdhSe o pastor e deputado federal Marco Feliciano for derrubado de seu posto, começará a ruir também a liberdade de expressão no País – subjugada pela ditadura das minorias organizadas.


A liberdade de expressão no Brasil está com os dias contados. A caçada humana dos ativistas gays contra o deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP) não coloca em risco apenas a liberdade religiosa (o que já seria grave) — ela pode amordaçar a liberdade de expressão no País, inclusive a liberdade da própria imprensa, que, com raras exceções, também hostiliza o pastor da Assembleia de Deus desde que ele foi eleito, em 7 de março, para a presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados (CDHM). O deputado Marco Feliciano está sendo perseguido implacavelmente sob a acusação de ser homofóbico, machista e racista e que, por isso, não poderia presidir a referida comissão. Por esse critério (e com muito mais razão), o deputado José Genoíno (PT-SP) — condenado pelo Supremo — não poderia integrar a Comissão de Constituição e Justiça, a mais importante da Câmara; nem Tiririca (PR-SP), suspeito de analfabetismo, poderia presidir sessões da Comissão de Educação.
A guerra deflagrada contra o deputado Marco Feliciano não se justifica por seus defeitos, que são muitos, mas pela intolerância de seus detratores, inegavelmente fascistas. Para eles, os direitos humanos não derivam da humanidade inerente a cada pessoa, mas da ideologia dos grupos a que pertencem. Dessa forma, se o indivíduo não se enquadra em uma das minorias santificadas pela universidade, como os negros, os gays e os drogados, ele se vê destituído de sua condição humana e pode até ser acusado dos crimes de que é vítima. É o que tem acontecido com Marco Feliciano, acusado de agir ditatorialmente na presidência da comissão, quando ocorre justamente o contrário — ele é que é vítima da truculência de seus adversários, que não o deixam nem mesmo falar, cassando à força, por meio do grito e da baderna, a vontade das 211.855 pessoas que o elegeram. Para se ter uma ideia do que isso representa, o deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ), militante do movimento gay, foi eleito com 13.018 votos.
A mobilização contra o pastor Marco Feliciano não é espontânea, como finge ser. Se a imprensa cumprisse o seu papel e destrinchasse o DNA dos grupelhos que o perseguem, veria que todos eles são mantidos por ONGs, partidos de esquerda, universidades e órgãos públicos. Entre esses grupos, prevalece o que chamo de “militância cruzada” — os mesmos indivíduos se entrecruzam na Marcha das Vadias, na Pedalada Pelada, na Marcha da Maconha, na Luta Antimanicomial, nas Paradas Gays, no Mamaço das Mães e nos diversos “coletivos” de esquerda que infernizam a vida urbana. Como conseguem ter tanta disponibilidade para promover manifestações em horário comercial? Simples: praticamente 100% dos profissionais de passeata desfrutam de alguma forma de financiamento público, direto ou indireto, por meio de bolsas universitárias, subsídios de fundações estrangeiras (como a Fundação Ford), ou de ONGs, sindicatos, conselhos profissionais e partidos políticos. O movimento gay, por exemplo, só existe porque sempre foi cevado, desde o berço, com fartas verbas governamentais, especialmente do Ministério da Saúde.
Cruzada da intolerância
Os grupelhos de militantes que perseguem o deputado Marco Feliciano se dizem representantes dos homossexuais, das mulheres e dos negros e mobilizam as redes sociais contra o pastor, organizando protestos em diversas cidades. Também contam com o apoio frequente de outros profissionais de passeata, como os ideólogos-sobre-duas-rodas (os cicloativistas) e as autointituladas “vadias”. Para esses grupelhos, a Comissão de Direitos Humanos é privativa do PT, tanto que fizeram questão de acrescentar ao seu nome o penduricalho “minorias” — outra categoria social politicamente monopolizada pela esquerda. A maioria dos veículos de comunicação também se engajou na luta para destituir o deputado, não apenas dando ampla cobertura aos protestos, como também levantando declarações passadas de Marco Feliciano que possam lhe causar constrangimento. A imprensa usa de dois pesos e duas medidas, pois o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nos oito anos em que fez do Palácio do Planalto um palanque diário, era uma usina de baboseiras por minuto, produzindo muitíssimas tiradas machistas, racistas e "homofóbicas" em sua carreira de falastrão.
A cruzada da intolerância, promovida por esses grupos, está surtindo efeito. Na tarde de quarta-feira, 20, durante audiência pública conjunta da Comissão de Direitos Humanos e Minorias e da Comissão de Seguridade Social e Família, os manifestantes mostraram seu poder de força. Mediante proposta do deputado Henrique Afonso (PV-AC), aprovada pela maioria de membros da comissão, seria discutida a questão do atendimento aos portadores de transtornos mentais, com a presença de dois palestrantes convidados: o psicólogo Aldo Zaiden, mestre em Estudos Comparados pela UnB e assessor da Coordenação de Saúde Mental, Álcool e Drogas da Secretaria de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde, e o psiquiatra Juberty Antônio de Souza, doutor em Ciências da Saúde pela UnB e professor da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, que estava representando a Associação Brasi­leira de Psiqui­atria. Mas a audiência acabou sendo suspensa, depois de 40 minutos de bate-boca entre os deputados, ao som de uma ruidosa manifestação de protesto contra Marco Feliciano.
A audiência pública foi aberta às 14h31 pelo deputado Marco Feliciano, que, além das vaias dos manifestantes, que tentavam cassar sua palavra, também teve de enfrentar a hostilidade dos parlamentares do PT que integram a comissão. Menos de quatro minutos depois de iniciados os trabalhos, o presidente da Comissão de Direitos Humanos passou o comando da audiência pública para o deputado Henrique Afonso, que a havia proposto, e deixou o recinto, sob o protesto dos deputados de esquerda, que tinham apresentado questões de ordem justamente para confrontá-lo. O deputado Nilmário Miranda (PT-MG), uma espécie de decano da Comis­são de Direitos Huma­nos, disse não reconhecer a legitimidade da comissão sob a presidência de Marco Feliciano e decidiu se retirar da audiência. Antes, para gáudio dos manifestantes, defendeu a Frente Parlamentar de Defesa dos Direitos Humanos, lançada na semana passada, com o objetivo de promover ações paralelas ao trabalho oficial da comissão e, com isso, deslegitimar o mandato do pastor Marco Feliciano no comando da mesma.
Polêmica com feministas
O deputado Domingos Dutra (PT-MA), também presente na tumultuada audiência pública, foi ainda mais duro. Ex-presidente da Comissão de Direitos Humanos, ele contestou as declarações do deputado Marco Feliciano às “Páginas Amarelas” da revista “Veja”, em que o pastor o acusou de ter descumprido um acordo partidário. Feliciano disse à revista: “Veja o que aconteceu com o Domingos Dutra. Eu conversei com ele um dia antes da votação que me elegeu. Tudo na paz. Ele disse: ‘Fica tranquilo’. Era um acordo partidário. E acordo partidário não se quebra nesta Casa. Estava tudo certo. No dia seguinte, ele chegou à Câmara e deu um espetáculo. Renunciou à presidência da comissão e ameaçou chorar, disse que o que ele estava vendo lá era totalitarismo, uma ditadura. Foi uma encenação piegas, um teatro grotesco”. Na audiência pública, Do­mingos Dutra retrucou: “Eu nunca conversei com ele, nem antes nem depois. A minha retirada é porque eu não aceitava participar de uma reunião da comissão de portas fechadas, com a Polícia Legislativa. O deputado Marco Feliciano, além de homofóbico, é racista, é mentiroso”. Dutra também se retirou da audiência.
Outra a se retirar da audiência para esvaziar a comissão foi a deputada Erica Kokay (PT-DF). Antes de abandonar os trabalhos, ela manteve o núcleo duro do linchamento moral do pastor Marco Feliciano — “homofóbico e racista” — e acrescentou que ele também é “machista”. Mas, em termos de inversão de valores, seu discurso foi superado pelo pronunciamento de sua colega Janete Pietá (PT-SP), professora e arquiteta da cidade de Guarulhos e coordenadora da bancada feminina na Câmara dos Deputados. Janete Pietá acusou Marco Feliciano de ter sido “eleito de forma clandestina” para a presidência da comissão e se indignou com uma entrevista concedida por ele em junho do ano passado e exumada agora pelo jornal “O Globo”. A entrevista — publicada num livro sobre os evangélicos na política e sua relação com as reivindicações de mulheres e homossexuais — rendeu manchete ao jornal na quarta-feira, 20: “Marcos Feliciano diz que direitos das mulheres atingem as famílias”. No destaque, o jornal pôs mais pimenta: “Em entrevista para livro, o deputado pastor diz que reivindicações feministas estimulam o homossexualismo”.
A deputada Janete Pietá, depois de tecer outras críticas a Marco Feliciano e ressalvar que não é contra os evangélicos, deixou claro que estava usando a palavra como coordenadora da bancada feminina na Câmara dos Deputados para repudiar “as declarações, sempre infelizes, do que preside essa comissão” (pastor Marco Feliciano) e que foi “eleito de forma clandestina”. Apesar dos 65 anos de idade, Janete Pietá falou com a indignação adolescente de uma estudante de grêmio livre: “A afirmação dele no Globo de hoje a respeito das mulheres é uma afirmação anticonstitucional, porque o artigo 5º da nossa Constituição diz que homens e mulhe­res têm direitos iguais. E esse deputado diz que, quando você estimula uma mulher a ter os mesmos direitos do homem...” Ela não comple­tou o racio­cínio, de tão enrai­ve­cida, mas continuou: “E cadê a Constituição? Isto é anticonstitucional. Então, demonstra que tem que haver uma rediscussão dessa comissão. O foco aqui fala tudo, é o artigo 5º. Eu vou dar entrada nessa Casa contra o deputado. Essa Casa não pode assistir alguém que é contra a Lei Maior do Brasil que fundamenta os direitos iguais”.
A “dialética dos sexos”
Apesar da fala excessivamente truncada da deputada Janete Pietá, em que pese ela escandir as palavras de modo lento, arrastado, até arrogante, percebe-se que sua compreensão do estado de direito é bastante precária. Se havia alguém “anticonstitucional” na audiência pública, esse alguém era justamente ela. A deputada petista acredita que o pastor Marco Feliciano tem de ser proibido de criticar a emancipação das mulheres porque, se o fizer, estará sendo “anticonstitucional”, isto é, estará ferindo a Constituição. É com base nessa premissa torta que a deputada diz que não se pode “assistir alguém que é contra a Lei Maior do Brasil”. Ou seja, na concepção da deputada paulista, se uma pessoa discorda de aspectos da Constituição, ela está proibida de manifestar essa discordância em voz alta, sob pena de ser considerada “anticonstitucional” e, quem sabe, até ser presa ou, no mínimo, proibida de exercer determinadas funções na sociedade. Logo, estaremos queimando em praça pública a obra de Schopenhauer, sob a acusação de que ele fere a Constituição por ser machista.
Ora, o mesmo artigo 5º da Constituição de 88 que diz que “homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações” também diz que “é inviolável a liberdade de consciência e de crença” e que “é livre a manifestação do pensamento”. Logo, tanto um machista empedernido é livre para afirmar publicamente que o lugar da mulher é na cozinha, quanto uma feminista radical pode defender a greve do sexo, afirmando — em franca discordância com a Constituição — que a família é uma arma capitalista para subjugar as mulheres e que é preciso apagar a distinção entre os sexos, garantindo às mulheres o controle exclusivo da reprodução — o que, na prática, significaria a escravidão dos homens, submetidos a comu­­nidades de amazonas. Era o que defendia, por exemplo, a feminista canadense Shula­­mith Firestone, de origem judaica, autora de “A Dialética do Sexo”, um livro que muito me espantou e me entusiasmou no alvorecer da juventude, quando ainda acredi­tava em revolução, sobretudo se guiada por uma bela e inteligente jovem de 26 anos, de longos cabelos e óculos de intelectual, como Shulamith se revelava na contracapa do livro, publicado originalmente em 1970.
Quando li “A Dialética dos Sexos”, pareceu-me que a autora tinha razão em acreditar que a verdadeira eman­cipação das mulheres só seria possível mediante uma revolução biológica, propi­ciada pela ciência, que libertasse a mulher da maternidade. Sem isso, sempre haveria uma dependência implícita da mulher em relação ao homem. Tratava-se de uma utopia radical e, talvez, a autora tenha percebido, na própria carne, a impossibilidade de existir um mundo com felicidade e igualdade para todos. Sua própria vida mostrou isso. Shulamith Firestone foi encontrada morta em 28 de agosto do ano passado. Tinha 67 anos e vivia reclusa num apartamento em Nova York. O mau cheiro alertou os vizinhos, e a polícia encontrou seu corpo, cerca de uma semana depois, num apartamento com muitos livros, inclusive clássicos gregos, cujo aluguel era pago por familiares. Sofrendo de esquizofrenia, ela passou boa parte da vida em hospitais psiquiátricos, calvário que se prenunciou logo após o lançamento de seu livro, quando abandonou o ativismo feminista e iniciou uma carreira de pintora. Uma das raras pessoas de sua convivência nos últimos anos, uma lésbica assumida, disse a um jornal nova-iorquino que Shulamith Firestone nunca falava de sua orientação sexual e nunca tinha se prendido a ninguém.
O preconceito invertido
A triste história de Shulamith Firestone não prova que o feminismo faz mal para as mulheres, como um Marco Feliciano se apressaria em acreditar. Mas prova, sem dúvida, que a felicidade individual — e, por consequência, os direitos humanos — não se resolve segundo a equação fácil dos profissionais de passeata, que acreditam na instituição do bem-estar geral e da igualdade por decreto mediante a imposição de leis que garantem às minorias exóticas todos os direitos e obriga a maioria silenciada a arcar com todos os deveres. As feministas, gays e negros de passeata querem o monopólio da Comissão de Direitos Humanos para que possam continuar tentando aprovar o Projeto de Lei Complementar 122 (PLC-122), que legaliza o conceito de "homofobia" e, concomitantemente, transforma a "homofobia" em crime. Por diversas vezes, o movimento gay tentou aprovar esse projeto apenas nas comissões do Congresso, sem passar pelo plenário — o que é absurdo, dadas as graves implicações que ele terá na vida das igrejas, empresas, hospitais, escolas e até nos lares, quando uma família tiver que contratar uma empregada, por exemplo.
Felizmente, parte da bancada evangélica — solitária e heroicamente — vem conseguindo barrar esse atentado à liberdade de todos os demais cidadãos. Resta saber até quando, pois o cerco das minorias organizadas às instituições vem se tornando cada vez mais feroz e eficiente. Antes mesmo de existir uma lei que tipifique o crime de “homofobia”, evangélicos e católicos já estão sendo perseguidos pelo Estado em face de qualquer crítica pública ao movimento gay. E o que é mais grave: o conceito de "homofobia", tal como vem sendo disseminado, é altamente subjetivo. Não tem a menor sustentação científica — nem sociológica, nem psicológica, nem médica — e jamais deveria ser transformado em tipo penal, pois se isso ocorrer qualquer pessoa que não seja gay poderá ser condenado por "homofobia", seja por ação, seja por omissão. Se um gay se candidatar a uma vaga numa empresa e for preterido na seleção, não será difícil para ele provar que foi vítima de preconceito. Os caminhos para isso estão dados: até alunos que transcreveram uma receita de miojo e o hino do Palmeiras na prova de redação do Enem obtiveram boas notas pelos textos bárbaros e desonestos. E a absurda justificativa do MEC para não zerar a redação e não  desclassificar os alunos por fraude (que seria o correto) é que eles teriam respeitado os direitos humanos nos trechinhos menos burlescos das redações, como se o ato fraudulento já não fosse, em si, um atentado ao que se entende por direito, justiça e moralidade.
Ora, se até o vestibular oficial do País — que seleciona os futuros professores, engenheiros, médicos, operadores do direito e outros profissionais de nível superior — já não dá a menor importância para a formação cognitiva e moral do aluno, subjugando todo o conhecimento acumulado pela humanidade à ditadura irracional do discurso politicamente correto, como é que o dono de uma panificadora, ao selecionar candidatos a uma vaga de padeiro — sob a égide da futura Lei de Combate à "Homofobia" — conseguirá provar que contratou João, o candidato heterossexual, porque ele sabe fazer um pão melhor que do que José, o candidato homossexual? Ou, caso contrate os dois, e tenha que demitir o incompetente José, como conseguirá explicar que o está demitindo por ser incapaz e não por ser gay? Esse é apenas um dos muitos problemas graves que a Lei da "Homofobia" vai suscitar, caso seja aprovado. Parafraseando o escritor Mário de Andrade, "homofobia" é o que o gay de passeata chama de "homofobia". Prova disso é que o próprio pastor Marco Feliciano, pelo fato de alisar o cabelo, está sendo chamado de “bicha”, “santa” e “gay” pelos próprios militantes do movimento gay — esses verdadeiros aprendizes de Marta Suplicy, que insinuou que Gilberto Kassab é homossexual. Mas ninguém diz que isso é "homofobia" – é apenas a liberdade de expressão dos gays, que vai se tornando infinita e anulando a liberdade de expressão dos demais.


José Maria e Silva é jornalista e sociólogo.

Publicado no Jornal Opção.

quinta-feira, 21 de março de 2013

Uma carta do cardeal Bergoglio: o Demônio é o instigador das tentativas de legalizar o "matrimônio homossexual"


Carta do Cardeal Bergoglio, hoje Papa Francisco sobre o "casamento homossexual"    (fonte: Voto Católico)

Uma carta do cardeal Bergoglio: o Demônio é o instigador das tentativas de legalizar o
Em junho de 2010, o arcebispo de Buenos Aires, cardeal Jorge Mario Bergoglio, enviou esta extraordinária carta aos monastérios de religiosas carmelitas da capital argentina para lhes pedir oração e sacrificio perante uma conjuntura gravíssima: a campanha para aprovar no Congresso uma iniciativa de que reconhecia legalmente o "matrimônio" entre pessoas do mesmo sexo. O projeto foi fortemente impulsionado pelo governo de Cristina Kirchner e aprovado no dia 15 de julho. A missiva evidencía a visão teológica do Prelado sobre a luta em questão: "Não sejamos ingênuos: não se trata de uma simples luta política, é a pretenção destrutiva ao plano de Deus". Trata-se da ação do Demônio e pede para rezar à Sagrada Família para que "que eles nos socorram, defendam e acompanhem nesta guerra", que não é nossa, mas de Deus.
***
"Buenos Aires, 22 de Junho de 2010.
"Queridas irmãs:
"Escrevo estas linhas a cada uma de vocês que estão nos quatro monastérios de Buenos Aires. O povo argentino deverá enfrentar, nas próximas semanas, uma situação cujo resultado pode ferir gravemente a família.
"Trata-se do projeto de lei sobre casamento de pessoas do mesmo sexo. Aqui está em jogo a identidade e a sobrevivência da família: papai, mamãe e filhos. Está em jogo a vida de tantas crianças que serão discriminadas de antemão, privando-os do amadurecimento humano que Deus quis que se desse com um pai e uma mãe. Está em jogo uma frontal rejeição à lei de Deus, gravada também em nossos corações.
"Lembro uma frase de Santa Teresinha quando fala de sua enfermidade de infância. Disse que a inveja do Demônio quis cobrar em sua família o ingresso da sua irmã mais velha no Carmelo. Aqui também está a inveja do Demônio, pela qual entrou o pecado no mundo, que arteiramente pretende destruir a imagem de Deus: homem e mulher que recebem o mandato de crescer, multiplicar-se e dominar a terra.
"Não sejamos ingênuos: não se trata de uma simples luta política, é a pretenção destrutiva ao plano de Deus. Não se trata de um mero projeto legislativo (este é apenas o instrumento) mas duma “movida” [suja manobra] do pai da mentira que pretende confundir e enganar aos filhos de Deus. Jesus nos diz que, para nos defendermos desse acusador mentiroso, nos enviará o Espírito da Verdade.
"Hoje a Pátria, perante desta situação, necessita da assistência especial do Espírito Santo para pôr a luz da Verdade em meio das trevas do erro, necessita desse Advogado que nos defenda do encantamento de tantos sofismas com que se buscam justificar esse projeto de lei e que confundem e enganam inclusive pessoas de boa vontade.
"Por isso recorro a vós e lhes peço oração e sacrifício, as duas armas invencíveis que Santa Teresinha confessou ter. Clamem ao Senhor para que envie seu Espírito aos Senadores que hão de dar seu voto. Que não o façam movidos pelo erro ou por situações de conjuntura, mas segundo o que a lei natural e a lei de Deus os prescreve. Peçam por eles, por suas famílias, que o Senhor os visite, os fortaleça e os console. Peçam para que eles façam um grande bem à Pátria.
"O projeto de lei será apreciado pelo Senado após o dia 13 de Julho. Olhemos para São José, para Maria, para o Menino [Jesus] e peçamos com fervor que eles defendam a família argentina neste momento. Recordemos o que Deus mesmo disse a seu povo em um momento de muita angústia: “esta guerra não é vossa, mas de Deus”. Que eles nos socorram, defendam e acompanhem nesta guerra de Deus.
"Obrigado pelo que farão nesta luta pela Pátria. E, por favor, peço também que rezem por mim. Que Jesus as abençoe e a Virgem Santa as cuide.
"Afetuosamente,
"Cardeal Jorge Mario Bergoglio, arcebispo de Buenos Aires."
Tradução: Voto Católico.

terça-feira, 19 de março de 2013

Um papa chamado Francisco! (Dom Odilo Pedro Scherer)


Magnífico artigo de Dom Odilo! (19/03/2013)

Quanta coisa eu gostaria de escrever neste breve artigo! Antes de tudo, louvor à Providência de Deus, que não deixa faltar pastores à sua Igreja que a conduzam conforme o coração de Cristo. Logo após a eleição do novo papa, ainda na Capela Sistina, os cardeais cantaram a plenos pulmões o hino de louvor à Santíssima Trindade – Te Deum laudamus! Muitos tinham lágrimas nos olhos.
A Igreja recebeu um novo Sucessor de Pedro para conduzi-la nos caminhos do Evangelho e para animar todos os seus membros no testemunho da salvação de Deus, manifestada a toda a humanidade por meio de Jesus Cristo. Participei pela primeira vez de um Conclave e posso dizer que foi ocasião para uma experiência eclesial única e profunda! Pude perceber a sincera busca do melhor para a Igreja e sua missão. O Espírito Santo não dorme!
Antes de entrar no Conclave, rezamos muito, tratamos com franqueza, respeito e profundo senso de responsabilidade as questões que precisavam ser tratadas em vista da escolha do novo pontífice. O clima no Colégio Cardinalício era sereno e fraterno. A entrada em Conclave, com o canto da ladainha de todos os Santos e da especial invocação do Espírito Criador – Veni Creator Spiritus – foi o início de um ato continuado de oração, que durou até à escolha do novo papa. Para tudo isso, não podia haver espaço mais apropriado que a Capela Sistina, com os esplêndidos afrescos de Michelangelo, especialmente da grande cena do juízo universal.
Eleito o cardeal Jorge Mario Bergoglio, arcebispo de Buenos Aires, ele escolheu o nome de Francisco, em memória a São Francisco de Assis. Várias surpresas deixaram desconcertados os “vaticanistas” mais experientes: um papa não-europeu, já nem tão jovem, um latino-americano da Argentina, o primeiro papa jesuíta, que toma o nome de Francisco ainda não usado por nenhum pontífice anteriormente! Bem que Jesus disse: o Espírito Santo sopra onde quer e ninguém sabe de onde seu sopro vital vem, nem para onde vai... Precisamos todos estar atentos à sua ação, deixando-nos conduzir por ele!
Certamente, Francisco é um nome muito indicativo das características que o novo Papa quer dar ao seu pontificado. São Francisco tinha sido um pecador, dado às vaidades do mundo; mas encontrou a misericórdia de Deus e se voltou inteiramente ele: “meu Deus e meu tudo!”. A partir de sua conversão, procurou viver o Evangelho em profundidade, cultivando a comunhão com Deus e desejando voltar-se sempre mais para Cristo, a ponto de ser chamado de “homem inteiramente cristificado”.
Não é esse mesmo o apelo que a Igreja recebe e faz a todos, desde há mais tempo?! Conversão para um renovado encontro com Deus, um discipulado verdadeiro, para a santidade de vida através da comunhão profunda com Deus, deixando-se abraçar e amar por ele? Na sua primeira missa com o Colégio Cardinalício, no dia seguinte à sua eleição, o papa Francisco observou que, sem essa comunhão profunda com Deus e a identificação com Jesus Cristo “crucificado”, sem confessar o seu nome, a Igreja não passa de uma “ONG piedosa”... Na basílica de São Francisco, em Assisi, há uma bela escultura do Santo abraçado aos pés do Crucificado, que baixa a mão direita para abraçar Francisco.
Mas não é só isso: tendo conhecido a misericórdia e o amor infinito de Deus Pai, São Francisco passou a reconhecer, em cada criatura, um irmão e uma irmã; sobretudo nos homens e mulheres, buscando viver com todos a fraternidade universal, sem excluir ninguém. Coração livre, ele podia amar a todos de coração inteiro e puro. Amou, sobretudo, os doentes (o leproso!), os pobres, os pecadores, os supostos “inimigos”; conseguia dialogar com os “diferentes”, sem mais nenhum dos preconceitos que regulam, geralmente, as relações humanas. Que grande desafio para a Igreja e a humanidade inteira!
Outra dimensão nada secundária na escolha do papa Francisco: após sua conversão, o Santo de Assis ardia pelo desejo de falar a todos do amor misericordioso de Deus: “O Amor não é amado, o Amor não é amado!” – saiu a gritar pelas ruas e as pessoas acharam que estivesse louco. Louco de amor a Deus! Havia compreendido a loucura de Jesus Cristo crucificado e que era preciso anunciar a todos essa bela notícia. Assim, São Francisco enviou seus frades como missionários em todas as direções. E essa dimensão missionária urge mais do que nunca em nossos dias.
Papa Francisco já entrou no coração do povo. Deus o ilumine e fortaleça! Deus abençoe toda a Igreja e a humanidade inteira através do seu ministério petrino, como servidor das ovelhas do Supremo Pastor! E São José, que festejamos no dia da inauguração solene de seu pontificado, interceda paternalmente pelo papa Francisco!
Publicado em O SÃO PAULO, ed. de 19.03.2013
Arcebispo de São Paulo

domingo, 10 de março de 2013

Marco Feliciano e o ódio anticristão instantâneo

A luz vermelha de alerta acendeu esta semana. A principal polêmica difundida pela mídia e pelas redes sociais foi a indicação e eleição do deputado e pastor Marco Feliciano como presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal.

Toda a celeuma se desenvolveu em cima de algumas declarações do pastor/deputado num outro momento e que muitos afirmaram serem racistas e contrárias aos homossexuais.  Muito mais impactantes que as estranhas declarações do deputado foram as reações rapidamente disseminadas pela mídia, redes sociais e movimentos LGBTs.  Marco Feliciano teve a vida revirada, e foi vítima das maiores infâmias e injustiças. Tudo isso em tempo recorde. Será isso apenas uma reação ás declarações do deputado? Ou teria algo mais por trás de toda essa movimentação?

Marco Feliciano é cristão, e não obstante as resevas que tenho ao seu estilo, é notório que é um homem corajoso e não omite suas opiniões e que por conta disso acabou por nutrir todo esse ódio contra si. Ele não é apenas mais um cristão light, mornoque renuncia o que acredita para ser politicamente correto e consequentemente ser mais aceito pelas pessoas.

O ódio contra Marco Feliciano é em última instância um ódio contra a moralidade cristã e o Cristianismo em si. Não é que necessariamente quem não goste de Marco Feliciano seja anticristão, não é isso, na verdade a maior parte das pessoas nesse caso age como inocentes úteis, simplesmente seguindo o fluxo, sem se questionar muito a esse respeito. Fazem isso porque acham que é importante estar em sintonia com a maioria do momento e pensar diferente a esta altura poderia trazer alguns incômodos como críticas, rótulos ou mesmo a falta de aceitação. O que a grande maioria dos detratores de Marco Feliciano não sabe é que na raiz desse movimento há toda uma engenharia laicista e anticristã que deseja confinar o Cristianismo à esfera privada, deixando-o irrelevante na sociedade, a começar pela legislação.

É isso que está acontecendo atualmente no Brasil. Vem se impondo sutilmente e cada vez mais uma mordaça anticristã. Qualquer opinião é aceita, desde que não seja a católica ou cristã. Basta aparecer um médico, deputado, pesquisador, ou juiz que seja cristão e que exponha sua opinião em coerência com seu credo, que já aparece alguém para rotulá-lo de religioso, como se ter Fé o tornasse automaticamente um cidadão de segunda classe como menos direitos que os demais.

No caso específico do Marco Feliciano ele se opõe ao PL 122 que quer criar superdireitos para os homossexuais. Esse projeto desejado pelos movimentos gays (e nem sempre pelos homossexuais) quer criminalizar a opinião daqueles que se manifestarem contra as práticas homossexuais. Uma verdadeira mordaça gay que se implantada neste país silenciará e punirá as vozes discordantes, em suma, sementes de uma possível ditadura laicista e anticristã.
Fica o recado: antes de sairmos replicando qualquer coisa por aí no afã de sermos bem aceito ou de estarmos na moda, é preciso prestar muita atenção. Por trás das ações aparentemente mais inofensivas, reputações vão sendo destruídas e os valores que servem de base para nossa sociedade vão sendo minados. Sejamos mais prudentes, sobretudo em tempos de online e real time.

Luciano Perim Almeida

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Lei Seca: Triunfo da insensatez (ou o que já era ruim, ficou pior!)


Vivemos tempos estranhos. Refiro-me à badalada nova Lei Seca, que é mais rígida, mais vil, e mais draconiana que a anterior. Todos somos suspeitos (culpados) até que se prove o contrário.

O Estado (agigantado e paternalista) incapaz de punir eficazmente os transgressores do trânsito, os bêbados e imprudentes que causam acidentes, decidiu pulverizar a culpa sobre a sociedade inteira, impondo a esta o medo e a coação. Agora a tolerância é zero, nivela-se o pai de família que tomou um chopinho na pizzaria com o inconsequente que secou um barril.

O pior é que essa imbecilidade é festejada como conquista e amadurecimento da sociedade brasileira. Direitos individuais são massacrados e a liberdade é espoliada mais uma vez em honra do ídolo Estado.

Qualquer um de nós sabe que cada pessoa reage de maneira diferente ao álcool. Peso, sexo, regularidade ou não no beber, estômago cheio ou vazio, quantidade ingerida, tudo isso há de pesar na influência do álcool no organismo. Desprezar isso, e medir todos com a mesma régua é um desvario. Ninguém pode ser penalizado previamente por um crime ou acidente hipotético. Demonizar qualquer ingestão de álcool como se só isso fosse resolver o problema dos acidentes de trânsito é desviar o foco dos outros fatores de risco como a má qualidade das pistas e as imprudências em geral.

Seria muito mais útil que o Estado em vez de implantar leis para punir “todo mundo” e com isso angariar uma baita grana para o erário, punisse com rigor àqueles que por dolo ou negligência já causaram acidentes. Se assim já o fizesse não precisaria criar leis estapafúrdias que só servem para desviar a atenção da incompetência estatal em aplicar as leis já existentes.

Leis como a nova lei seca criam condições para a implantação de um Estado totalitário, dominador das mentes. Festejar leis como essas é sepultar a própria liberdade.

A lei seca além de totalitária é também puritana, parece coibir apenas o uso combinado da bebida e direção, mas na verdade é uma ofensiva contra o uso de bebidas alcoólicas em si, seja este moderado ou não. Explico: numa sociedade em que se usa o automóvel para praticamente tudo, e onde cada vez mais pessoas possuem carros, querer impedir o uso deste em combinação com qualquer quantidade de consumo de álcool é querer simplesmente que as pessoas não bebam e ponto. Depois da cruzada contra o tabaco temos agora a cruzada contra o chope, ou seja, o Brasil oficial se "protestantizou" e você nem havia se dado conta disso.

Brincadeiras a parte, a coisa é tão delirante que se corre o risco de sacerdotes católicos serem submetidos ao teste do bafômetro ao se deslocarem de automóvel após celebrar o santo sacrifício da Missa. Isso no Brasil de 50.000 homicídios ao ano!

Enquanto assassinos e traficantes deitam em rolam num Estado que prima pela impunidade, corremos o risco de termos padres multados apenas por cumprirem sua missão.

Ás vezes é duro ser brasileiro.

Luciano Perim Almeida