sábado, 16 de fevereiro de 2013

Lei Seca: Triunfo da insensatez (ou o que já era ruim, ficou pior!)


Vivemos tempos estranhos. Refiro-me à badalada nova Lei Seca, que é mais rígida, mais vil, e mais draconiana que a anterior. Todos somos suspeitos (culpados) até que se prove o contrário.

O Estado (agigantado e paternalista) incapaz de punir eficazmente os transgressores do trânsito, os bêbados e imprudentes que causam acidentes, decidiu pulverizar a culpa sobre a sociedade inteira, impondo a esta o medo e a coação. Agora a tolerância é zero, nivela-se o pai de família que tomou um chopinho na pizzaria com o inconsequente que secou um barril.

O pior é que essa imbecilidade é festejada como conquista e amadurecimento da sociedade brasileira. Direitos individuais são massacrados e a liberdade é espoliada mais uma vez em honra do ídolo Estado.

Qualquer um de nós sabe que cada pessoa reage de maneira diferente ao álcool. Peso, sexo, regularidade ou não no beber, estômago cheio ou vazio, quantidade ingerida, tudo isso há de pesar na influência do álcool no organismo. Desprezar isso, e medir todos com a mesma régua é um desvario. Ninguém pode ser penalizado previamente por um crime ou acidente hipotético. Demonizar qualquer ingestão de álcool como se só isso fosse resolver o problema dos acidentes de trânsito é desviar o foco dos outros fatores de risco como a má qualidade das pistas e as imprudências em geral.

Seria muito mais útil que o Estado em vez de implantar leis para punir “todo mundo” e com isso angariar uma baita grana para o erário, punisse com rigor àqueles que por dolo ou negligência já causaram acidentes. Se assim já o fizesse não precisaria criar leis estapafúrdias que só servem para desviar a atenção da incompetência estatal em aplicar as leis já existentes.

Leis como a nova lei seca criam condições para a implantação de um Estado totalitário, dominador das mentes. Festejar leis como essas é sepultar a própria liberdade.

A lei seca além de totalitária é também puritana, parece coibir apenas o uso combinado da bebida e direção, mas na verdade é uma ofensiva contra o uso de bebidas alcoólicas em si, seja este moderado ou não. Explico: numa sociedade em que se usa o automóvel para praticamente tudo, e onde cada vez mais pessoas possuem carros, querer impedir o uso deste em combinação com qualquer quantidade de consumo de álcool é querer simplesmente que as pessoas não bebam e ponto. Depois da cruzada contra o tabaco temos agora a cruzada contra o chope, ou seja, o Brasil oficial se "protestantizou" e você nem havia se dado conta disso.

Brincadeiras a parte, a coisa é tão delirante que se corre o risco de sacerdotes católicos serem submetidos ao teste do bafômetro ao se deslocarem de automóvel após celebrar o santo sacrifício da Missa. Isso no Brasil de 50.000 homicídios ao ano!

Enquanto assassinos e traficantes deitam em rolam num Estado que prima pela impunidade, corremos o risco de termos padres multados apenas por cumprirem sua missão.

Ás vezes é duro ser brasileiro.

Luciano Perim Almeida