sábado, 8 de abril de 2017

A grave crise na Síria na observação de um leigo.


Todos assistimos estupefatos, as terríveis cenas de crianças e bebês sendo lavados com jatos d’água para minimizar os efeitos das armas químicas usadas esta semana lá na Síria. Estimam-se em 80 o número de mortos, sendo pelo menos 30 crianças o que torna o crime ainda mais brutal.

Toda a mídia se apressou em condenar o regime de Bashar al-Assad como o responsável por essa barbárie. O presidente Donald Trump de maneira precipitada bombardeou uma base aérea síria de onde supostamente teria partido o ataque com armas químicas, e o mundo entrou no "modo" pânico, pela possibilidade de choque entre as duas principais potências nucleares, EUA e Rússia (aliada do regime de Assad).

Em março de 2003, os Estados Unidos governado por George W. Bush bombardeou e invadiu o Iraque de Saddam Hussein sob o pretexto de destruir o seu arsenal de armas de destruição em massa. Depois se descobriu que Bush tomou essa atitude influenciado por relatórios falsos e fantasiosos de suas próprias agências de espionagem. Quatorze anos depois a história parece se repetir com a chancela irresponsável da mídia e o aparente despreparo de Trump que juntos podem estar levando o mundo e os EUA a um novo abismo.

Vamos aos fatos. Em janeiro de 2011 a Síria era um dos mais calmos e tranquilos países árabes, tanto que nesse relato de uma religiosa católica à RTP, foi este o país escolhido por ela para “descansar” após árdua missão de 12 anos no oriente médio. Vejam aí: https://www.rtp.pt/noticias/mundo/missionaria-argentina-em-alepo-desde-2011_v964505

Em março de 2011 eclodiu a “guerra civil” na Síria que na verdade sempre consistiu numa resistência do povo Sírio e de seu governo/exército a ação do Estado Islâmico, de rebeldes violentos que sempre foram minoria e de também de mercenários estrangeiros financiados por sauditas entre outros para desestabilizar o governo de Assad.

É nisso que consiste a “guerra” na Síria, a resistência de um povo e de seu governo às invasões de grupos bárbaros extremistas. Para a mentalidade frouxa, sentimentalista e pacifista ocidental, o melhor seria deixar o Estado Islâmico dominar tudo, exterminar os cristãos, não gerar conflitos, e não reagir legitimamente a essa invasão. Quase tudo o que se viu na mídia nesses seis anos foi contrainformação e mentira de maneira a se alinhar aos interesses escusos de uma agenda geopolítica de árabes e europeus que querem a qualquer custo alijar Assad do poder e isolar ainda mais a Rússia.

Durante os anos do governo Obama, os Estados Unidos apoiaram irresponsavelmente os chamados rebeldes moderados que nunca existiram. Eram rebeldes, assassinos de cristãos, que receberam armas e dinheiro da administração Obama sob o pretexto de conter o Estado Islâmico, quando na verdade andavam no rastro dele.

Há cerca de dois anos, como que atendendo as preces de milhões de sírios, a Rússia resolveu apoiar o exército sírio na sua luta contra os terroristas islâmicos. Suas ações contra os rebeldes financiados pelo Ocidente e contra o Estado Islâmico renderam rápido resultado, ao contrário da luta de “faz-de-conta” de Obama contra o EI. O exército sírio nesse tempo se fortaleceu e ocupou Aleppo, libertando essa grande cidade que há anos penava nas mãos do Estado Islâmico.

Hoje pode se dizer que Assad está vencendo a guerra e retomando pouco a pouco os territórios ocupados pelos terroristas de diversas matizes. Nesse meio tempo Trump assumiu o governo e prometeu riscar o EI do mapa, não se concentrando mais em apenas derrubar Assad como fez o seu antecessor irresponsável. Se analisarmos o cenário atual com critério e frieza veremos que ele é mais favorável a Assad e contrário aos rebeldes e ao EI. Nessa linha de raciocínio seria totalmente ilógico e improvável que Assad justamente no momento que a balança pende a seu favor iria se desgastar perante a opinião pública mundial usando armas químicas.

Há uma certa preguiça mental e má vontade na chamada grande mídia. É óbvio que Assad só teria a perder se usasse armas químicas, mas há uma outra  possibilidade muito mais crível e lógica que tem sido desprezada pela grande mídia: e se esses rebeldes, vendo ruir todas as suas esperanças, resolvessem simular contra o seu próprio povo um ataque químico com o efeito de atrair contra Assad o repúdio de todo o mundo? Impossível? Inacreditável? Talvez para mim e para você que graças a Deus temos reserva moral, mas não para esses animais que decapitam, e crucificam crianças apenas por serem cristãs.

Que se investigue com isenção e que se punam os culpados, seja quem for.


Luciano Perim Almeida