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3 de junho de 2018

Triste retrato de nossos tempos


Resultado de imagem para foto irlandesas comemorando aborto

O destaque dessa última semana foi o referendo que liberou o aborto na Irlanda. Sendo a Irlanda um país de muita tradição católica e com quase 80% da sua população afirmando seguir ainda essa religião, foi com certo rebuliço que o mundo recebeu essa notícia, sobretudo pela margem assombrosa com que os abortistas  venceram, mais de 66% dos votantes.

A pergunta a se fazer é essa: "como foi possível um resultado desses num país de maioria católica?" Todos sabem que a Igreja Católica é o último bastião pró-vida do mundo. Por isso ela é tão atacada pela ONU, mídia e ONGs abortistas em toda a parte. A Irlanda foi escolhida a dedo para ser a pedra da vez. Tudo foi muito bem planejado, nada aconteceu à toa. ONGs esquerdistas despejaram milhões em campanhas pró-aborto, e até bandas de rock consagradas como o U2 que eram tidos como bons moços, emprestaram sua imagem para a defender a liberação desse nefasto crime. Em que pese tudo isso, a principal causa da derrota da causa da vida na Irlanda não foi nem a grana, nem o empenho dos abortistas, mas sim a tibieza dos católicos de lá, que não conseguiram se mobilizar para repelir esse terrível mal. Uma igreja local já enfraquecida por escândalos recentes no clero ajudaram a jogar a pá de cal nessa triste situação.

A fim de se evitar o efeito Orloff (“Eu sou você amanhã”), é preciso que todo o mundo católico ponha as barbas de molho e ligue a luz de alerta. Reajamos, porque os maus agem no silêncio e na omissão dos bons. A queda da Irlanda foi um duro golpe para a Igreja, ainda que a causa da vida não interessasse tão somente a ela, mas a todo e qualquer ser humano.

Vivemos tempos de profundo relativismo moral, uma verdadeira “ditadura do relativismo” tão brilhantemente denunciada pelo hoje Papa Emérito Bento XVI. Cada um, mesmo na Igreja, parece querer ditar suas próprias regras morais, a despeito dos mandamentos que o próprio Senhor nos deixou. Poucos, mesmo no clero, se levantam contra esse que é um dos principais males da nossa época. Quase ninguém corrige o erro, quer privada, quer publicamente, a ponto deste ir ganhando status de verdade no meio católico. O católico “self-service”, aquele que escolhe o que quer acreditar na Igreja, vai se tornando cada dia mais representativo.

Essa mentalidade frouxa e malformada dos católicos é a matéria prima para que desgraças como a da Irlanda se repitam. Urge que todos os que creem busquem se formar e se informar sobre sua Fé, para que com a graça de Deus deem um testemunho profícuo em seus ambientes diários. Não podemos mais nos dar ao luxo de esperar uma exortação de um pároco ou vigário para nos formarmos, é preciso ir atrás da informação o quanto antes. Cada um compre logo o seu CIC (Catecismo da Igreja Católica), ou o “baixe” pela internet e o devore porque os tempos são maus. Lá encontraremos tudo que nos é necessário para termos uma vida reta e conforme os desígnios de Deus, que não nos negará sua Graça, se a Ele nos confiarmos com Fé, na vida e na oração.

São João Paulo II em sua brilhante encíclica “Evangelium Vitae”, no nº 13 já denunciava que o terrível pecado/crime do aborto estava profundamente ligado à mentalidade contraceptiva de nossos tempos. Apesar de aborto e contracepção serem pecados de gravidades e naturezas diferentes, ambos possuem a mesma raiz que consiste em enxergar a vida humana, propriamente os filhos, como um peso ou estorvo, surgindo dessa concepção egoísta e medíocre de vida, pretextos para evitá-los ou mesmo eliminá-los. Infelizmente, poucos em nossas paróquias e dioceses conseguem fazer essa associação. Quantas moças católicas fazem uso de Diu, pílula do dia seguinte (que são micro-abortivos) e contraceptivos como se fossem a coisa mais natural do mundo? A cultura do aborto e, portanto, cultura de morte, se nutre dessa ignorância e insensibilidade. Se quisermos combater o terrível pecado do aborto, precisamos combater também as ideias que o sustentam que estão enraizadas numa mentalidade contraceptiva/hedonista que já é tida por muitos, como normal e irreversível.

Vivamos nossa Fé com coragem e integridade. Não temamos incompreensões e isolamento. São Paulo já nos admoestava em Romanos 8, 18. que o sofrimento do tempo presente não tem proporção alguma com glória futura. Cristo quer ser anunciado com a nossa vida e palavra, sejamos fiéis.

Voltemos à Irlanda. Fizeram um referendo para se suprimir um direito fundamental, que é o direito à vida, como se o resultado de uma votação qualquer, vencida por uma maioria ocasional pudesse se sobrepor a realidade das coisas. Esticar a democracia a tais situações, desrespeitando os limites impostos pela própria natureza é arbítrio, tirania de uma maioria ocasional, uma verdadeira aberração. Isso corrói as estruturas da sociedade, gerando o caos e as sementes para a destruição da mesma. Tal referendo por si só, já é uma amostra de quão doente e confusa está nossa civilização.

Vendo as fotos das irlandesas comemorando, com largos sorrisos nos rostos, a possibilidade de matar seus filhos em seus próprios ventres sem que pudessem ser punidas por esse ato nefando, inevitavelmente ponho-me a pensar como um cidadão comum dos séculos futuros, ao se deparar com esse registro histórico de estranha felicidade explicaria tal cena para seu filho. Do que adianta tanto progresso material e tecnológico, se a moral decai? Um mundo que vira as costas para Deus e suas leis, cai na barbárie.


Vinde ó Deus em meu auxílio, socorrei-me sem demora.

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